Biologia Marinha: Estudo analisa presença de supúnculos no litoral brasileiro

Trabalho foi realizado por pesquisadores da USP na praia de São Sebastião

sex, 11/04/2003 - 11h55 | Do Portal do Governo

Da Agência de Notícias da USP
Por Miguel Glugoski

Os sipúnculos, vermes marinhos pertencentes a um grupo ainda pouco estudado no Brasil, possuem o corpo cilíndrico com uma característica que os difere de outros: a localização do ânus na região dorsal na parte anterior do corpo. Estes organismos são encontrados enterrados tanto nas praias como nas regiões de grande profundidade.

No Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP, em São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo, estes animais, exclusivamente marinhos, são pesquisados pela doutoranda do Instituto de Biociências (IB) da USP Gisele Yukimi Kawauchi, orientada pelo professor Alvaro Esteves Migotto, vice-diretor do CEBIMar.

Para o professor Migotto, a importância do estudo dos sipúnculos está no papel que este grupo de animais desempenha na fauna marinha: ‘são animais envolvidos em cadeias alimentares, sendo predados por peixes. Também são grande perfuradores de corais’.

Os estudos de Gisele atualmente buscam catalogar a presença dos sipúnculos na costa brasleira, verificando basicamente sua distribuição: ‘examino cada um dos animais que encontro para verificar se não detectei uma espécie não registrada para o litoral brasileiro ou mesmo nova para a ciência’, comenta a pesquisadora. Para Migotto, a iniciativa é necessária também por ‘faltarem muitos estudos brasileiros e até internacionais sobre esse grupo de animais’.

Reconhecimento internacional

As pesquisas desenvolvidas por Gisele no CEBIMar ganharam reconhecimento internacional, com a pesquisadora sendo convidada para participar de um workshop sobre esses animais em Barbados, na América Central. O convite partiu do Dr. Edward B. Cutler, da Universidade de Harvard (EUA), o maior especialista mundial no assunto. ‘Foi muito importante ter conhecido os atuais estudiosos deste grupo de invertebrados marinhos. Tive a oportunidade de conversar e mostrar que o nosso país tem pessoal e condições para desenvolver pesquisa de boa qualidade.’

O intercâmbio promovido nesta área é valorizado pelo professor Migotto em dois aspectos: ‘primeiramente, é válido que se conheça outros pesquisadores na área, para promover a troca de idéias. Por outro lado, muitas vezes precisamos estudar animais que estão além das nossas limitações geográficas. Às vezes é necessário que analisemos animais da costa da África, da América do Norte, por exemplo. E nessas oportunidades os contatos no exterior podem facilitar a pesquisa’, afirma.

V.C.