Alckmin realiza palestra no VII Curso Master em Jornalismo para editores

Ele defendeu o ponto de vista de que a informação também esteja voltada ao trabalho dos políticos sérios

seg, 17/03/2003 - 15h07 | Do Portal do Governo


Ao abrir o primeiro dia de aula do VII curso Master em Jornalismo para Editores, iniciado nesta segunda-feira, dia 17, no Centro de Extensão Universitária, no bairro da Bela Vista, o governador Geraldo Alckmin – que foi convidado para fazer uma palestra sobre ‘Relações entre Governo e Imprensa’ – chamou a atenção dos participantes para o preconceito com que os meios de comunicação tratam as informações político-administrativas.

‘Parece que há um entendimento generalizado de que os maiores espaços devem ser usados para apontarem erros e denunciar desmandos. Isto seria o verdadeiro jornalismo’, criticou.

‘Noticiar coisas boas e importantes que os políticos e governos fazem seria propaganda – coisa para ser tratada em balcão de anúncio e não na redação. Respeito os que pensam assim, mas quero observar que levar notícias só para o mundo das denúncias é fazer justamente o jogo dos políticos corruptos dos demagogos, incompetentes que estão somente na vida pública para aproveitar do povo e do dinheiro público’, falou o governador para uma platéia composta por editores nacionais e estrangeiros. ‘O denuncismo resulta da idéia distorcida de que os políticos são todos iguais’, comentou.

Por isso, ele defendeu o ponto de vista de que a informação também esteja voltada ao trabalho dos políticos sérios, para que o povo possa fazer seu julgamento de forma equilibrada. ‘É preciso também noticiar o que é bom para que o povo possa acreditar que este país tem solução e não mergulhar na onda de pessimismo, pois isto não contribuirá para melhorar coisa alguma’, observou destacando que omitir trabalhos importantes feitos pelos governos é tão grave quanto deixar de anunciar o que existe de errado na administração pública. ‘É preciso mais equilíbrio’, ponderou.

O governador expôs esta reflexão e disse que foi ao encontro sob o ponto de vista de quem está do outro lado do ‘balcão’, de quem é visto diariamente pela imprensa, ‘nem sempre com uma visão simpática’.

Alckmin mencionou que talvez esta aversão seja resquício da época da ditadura militar, período em que foi imposta censura à imprensa. E fez uma comparação do atual momento político do país. ‘Nos anos de chumbo, o respeitado jornalista Ricardo Kotscho dizia que o jornalismo antes de tudo era oposição. O resto é press-release. Hoje este jornalista é assessor do presidente da república. Não mudou seu padrão ético profissional, mas, até por obrigação do ofício, certamente ele mudou seu conceito sobre governo e jornalismo’, declarou.

Sobre a sétima edição do curso, Alckmin disse que objetivo vai além de aprimorar conhecimentos e debater a evolução da tecnologia nos meios de comunicação. ‘Trata de questões éticas diretamente relacionadas com a formação da opinião pública. Vai servir para avaliar o posicionamento dos meios de comunicação, diante das rápidas metamorfoses que atingem o setor. Como também para rever conceitos de comportamentos para melhor preparar os editores no desempenho de suas tarefas no dia-a-dia’.

O curso Master em Jornalismo foi idealizado pelo professor Carlos Alberto Di Franco. Seu principal objetivo é treinar jornalistas que vão assumir ou já assumiram cargos de direção em empresas de comunicação. Mais de 100 profissionais já participaram da atividade que tem um ano de duração e está dividida em cinco módulos.

Valéria Cintra