Agronegócio: Variedades de soja mais resistentes devem impactar produção de orgânicos

Novidades serão apresentadas pelo Instituto Agronômico na Agrishow 2002, em Ribeirão Preto

seg, 29/04/2002 - 10h49 | Do Portal do Governo

A soja é a principal cultura orgânica do Brasil, representando 31% do volume de produção desse setor. Esse promissor negócio de produtos livres de agrotóxicos cresce constantemente entre produtores e consumidores. Aqueles procuram fontes mais rentáveis, estes buscam alimentos mais saudáveis.

É nesse universo que mais uma criação do Instituto Agronômico (IAC-APTA) irá causar impacto. São as variedades de soja IAC 23 e IAC 24, mais resistentes que as existentes no mercado. ‘O nível de resistência dessas variedades vai dispensar o uso de defensivos’, afirma o pesquisador do IAC, Manoel Miranda. A novidade será apresentada pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA) na Agrishow 2002, que começa nesta segunda-feira, dia 29, em Ribeirão Preto.

A agregação de valor ao produto, por viabilizar a produção orgânica, é um dos destaques principais dessas novidades, além da estabilidade produtiva acarretada pela resistência.

Mais resistentes a doenças e pragas, essas cultivares irão reduzir a aplicação de agrotóxicos e racionalizar a mão-de-obra. O ciclo da IAC 23 é precoce, de 110 dias, e o da IAC 24 é semi-precoce, tomando 120 dias do plantio à maturação. Isso torna necessário menor número de máquinas, porque, junto com outras variedades, possibilitam a colheita em épocas diferentes. Reunindo-se cultivares de ciclos precoce, médio e tardio é possível alongar o período de colheita em um mês.

A IAC 23 tem altura uniforme, de 70 cm, e facilita a mecanização. Além disso, ela tem período juvenil (apresenta a mesma altura independentemente da época do plantio), o que garante também maior amplitude dessa fase.

Para o consumidor, a IAC 23 terá outro atrativo: maior teor de isoflavona, substância que está embutida na resistência a insetos e tem positivos reflexos na saúde humana, como prevenção de câncer e osteoporose, e renovação de células.

Na avaliação do pesquisador Manoel Miranda, a IAC 24 terá expansão mais rápida, por ser tolerante à ‘queima do broto’, virose importante que ataca as plantações na região sul de São Paulo, estado que reúne a maior área plantada de orgânicos, com 30 mil hectares.

As pesquisas com essas variedades foram concluídas em 1999. Agora as cultivares estão em fase de registro.

Carla Gomes – Da Assessoria de Comunicação e Imprensa do IAC