Agricultura: Esalq cria software que escolhe melhor sistema de irrigação para produtor rural

Programa permite que usuário pesquise redução de custos com bombeamento, um dos fatores mais relevantes do processo

sex, 07/10/2005 - 17h20 | Do Portal do Governo

Ajudar agricultores a escolher o melhor sistema de irrigação para as plantações é a principal aplicação do software concebido pela engenheira agrônoma Patrícia Angélica Alves Marques, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP de Piracicaba. O programa considera aspectos climatológicos, do solo e do tipo de cultura e avalia qual o melhor tipo de irrigação do ponto de vista econômico.

O programa de computador, apresentado pela engenheira na defesa de seu doutorado na Esalq, será útil para empresas e pequenos produtores. A principal informação gerada no aplicativo consiste numa curva da probabilidade de lucro para os dados fornecidos, na grandeza de reais por hectare ao ano (R$/ha/ano). ‘Paralelamente, são fornecidos índices econômicos: desvio padrão, variância e porcentagem no custo total da irrigação de cada um dos fatores envolvidos no processo’, informa a pesquisadora.

‘Um dos exemplos mais comuns é o de pessoas que adquirem sistemas de irrigação baseadas apenas no preço e, depois, a manutenção e o custo de bombeamento se mostram elevados. Não conseguem arcar com a despesa e abandonam os equipamentos comprados’, diz Patrícia. Em contrapartida, agricultores insatisfeitos com a rentabilidade de suas terras poderão avaliar se a irrigação que utilizam é de fato a melhor opção. Além das aplicações comerciais, o programa abre a possibilidade de realização de pesquisas, como redução de custos com bombeamento, um dos fatores mais relevantes da irrigação. ‘Foi criado de modo que suas simulações possam ser utilizadas em outros estudos – a influência da vida útil do equipamento, a evolução dos custos de manutenção, etc.’, assegura.

Raiz profunda

O técnico que utilizar o programa precisa ter noções de estatística, economia e de irrigação. Os dados abrangem desde fatores estritamente econômicos: taxa de juros, valor de venda do produto e preço da água, a coeficientes técnicos de irrigação: capacidade de absorção do solo e profundidade das raízes. Patrícia tem planos de elaborar treinamento para ensinar pesquisadores e produtores a utilizar a ferramenta corretamente. ‘Pensamos até em trabalhar com parcerias para a aplicação e difusão do produto, que ainda não tem prazo para ser vendido no mercado, mas no começo do próximo ano devem ter início as primeiras aplicações. Faltam alguns ajustes, mas assim que acertarmos vamos estudar como explorar o modelo ao máximo’, informa.

André Benevides da Agência USP de Notícias
C.A.