Serra premia trabalhos científicos de alunos do Ensino Médio

São Paulo, 29 de outubro de 2009

qui, 29/10/2009 - 21h49 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Eu queria dar o meu boa tarde a todos e a todas, e cumprimentar os alunos, os vencedores e todos aqueles que participaram desse programa que é, na minha opinião, extraordinário. Queria cumprimentar a Mayana Zatz, que além de uma grande pesquisadora, é pró-reitora de pesquisa da Universidade de São Paulo, e que realizou – e toca – esse programa pelo lado da universidade. O doutor Marco Antônio Zago, que é presidente do CNPq, que colabora com o programa. O Flávio Fava de Moraes, que é diretor da Fundação da Faculdade de Medicina. O Paulo Hilário Nascimento Saldiva, que é presidente da Comissão de Pesquisa da Faculdade de Medicina. O Hernan Chaimovich, que é superintendente do Instituto Butantan. O grande professor emérito da Faculdade de Medicina, Isaías Raw. O Herch Moyses Nussenzveig, que é cientista e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Parceiros e apoiadores deste programa de iniciação científica, pró-reitores e diretores das universidades estaduais, professores e alunos participantes do programa.

Este programa, na verdade, está baseado em um tripé muito interessante, porque tem a Universidade de São Paulo – uma universidade pública mantida pelos impostos que todo mundo paga -, o setor privado – através da Monsanto e do Banco Santander -, e a própria Secretaria Estadual da Educação. Mas eu acho que, além de ser baseado neste tripé, o programa tem ainda o mérito de realmente garantir aquilo que o motiva, que é a pré-iniciação científica a alunos do Ensino Médio. E no caso desta turma, são 365 estudantes.

A Mayana Zatz, que é a coordenadora do programa, não é apenas uma especialista em genética humana e pró-reitora da USP. É, eu acho, é uma especialista no que a gente pode chamar de genética do conhecimento, pois sabe que talvez uma das fases da vida em que as pessoas mais desenvolve a curiosidade e o senso crítico, que são os requisitos básicos para a evolução do saber, é exatamente a adolescência. A curiosidade é o ingrediente fundamental, e eu tenho certeza que todo mundo que fez esse curso ficou com a curiosidade bastante excitada, porque isso é o pré-requisito: a curiosidade e o desenvolvimento senso crítico. São dois ingredientes fundamentais.

Os adolescentes como vocês, mais do que a média das pessoas, sempre perguntam como, quando e onde. Querer saber disso à exaustão dá muita canseira também aos pais e aos professores. Eu falo isso à vontade porque fui professor a minha vida inteira, também fui adolescente e era dos piores em matéria de curiosidade e de senso crítico também. E deu no que deu.

Eu me lembro que, quando ia à escola, havia o boletim que era destinado ao pai ou responsável. Gozado que nem tinha mãe: era pai ou responsável. Então tinha nota de aplicação, e de comportamento. Aplicação era nota de aproveitamento, e em geral eu tinha notas razoáveis. A outra, quando era abaixo de 7,5, era em vermelho. Eu só tive nota vermelha. Você também, Mayana? Incrível! Vocês vêem como as aparências enganam. Mas ela estudou no colégio em que eu queria ter estudado, o melhor de São Paulo, que era um colégio do Estado lá no Parque Dom Pedro, na avenida Rangel Pestana. E esse o colégio que ela fez dispensava o cursinho. Eu tive que fazer cursinho, eu fiz o Roosevelt, depois tive que fazer o cursinho para entrar direto na faculdade – eu entrei na Engenharia da Politécnica (da USP). Mas o colégio que ela fez era realmente o melhor, uma pena que a gente não tenha mais um colégio com aquele nível.

Agora, esse programa (de que estamos falando aqui) não faz essa iniciação em termos teóricos, mas exatamente o contrário. Põe os alunos em contato direto com os laboratórios, pesquisadores, pesquisas, coisas que estão sendo efetivamente feitas. E ainda tem uma bolsa para apoiar, uma bolsa pequena, mas que ajuda para que os alunos possam, nessa fase da vida, fazer esse curso de iniciação.

E também o que eu vi aqui é que os professores da rede pública, que supervisionam, participam diretamente do programa. Isso, na verdade, acaba trazendo um duplo benefício para a escola. Aos alunos e aos próprios professores que também devem aprender nisso e acabam se inteirando daquilo que está acontecendo, e também tem um grau de aproveitamento diferente do aproveitamento dos alunos na forma, mas sem dúvida também significativo.

Estou vendo aqui também o professor Jatene que chegou agora há pouco, e que é um grande professor, grande ministro da Saúde e um grande cirurgião.

Por outro lado, a universidade acaba se colocando dentro da escola. E eu acho sinceramente como governador, como professor da Unicamp, no caso, que isso faz falta.

Eu acho que um programa como este, sem dúvida nenhuma, aproxima mais a universidade. E os alunos, vocês que estão aqui, vão ser divulgadores do programa, chegando de volta à sua escola, fazer propaganda, despertar a vontade nos outros, da mesma maneira que os professores que acompanharam.

Eu quero dizer que o estímulo, a formação técnica, a formação cientifica é fundamental para o Brasil de hoje. Fundamental pra mim, para o meu governo, inclusive, o progresso do país depende muito disso, o progresso da sociedade e a abertura de oportunidades para os jovens. Nós temos que incentivar, um programa como esse é um belo incentivo. Porque nada, nada, 350, 400 alunos por ano é uma quantidade grande de gente que vai se sentir estimulada e incentivada, além de emocionada, como nós vimos aqui.

Homens e mulheres, todos adolescentes e todos com uma coisa em comum, chorando, o que mostra a emoção, a alegria e a satisfação por terem feito um programa como este. Por isso é que eu vim aqui, com prazer, e saio com mais prazer do que entrei. Hoje é um dia em que eu já estava animado, mas vou sair daqui mais animado. Realmente interessante esta experiência, embora esteja compartilhando apenas o encerramento.

Queria cumprimentar também os organizadores do encontro aqui, pela homenagem ao professor, um pesquisador acima de tudo, que deu, tem dado e vai continuar dando uma grande contribuição da ciência no Brasil, que é o professor Isaias Raw, a quem, quero prestar aqui as minhas homenagens. Eu, particularmente, tive a oportunidade de conviver com o professor Isais Raw – obedecendo, porque quando ele tem uma idéia, não há hipótese de tirar da cabeça. É melhor ceder e procurar a participar, mas como Ministro da Saúde fomos parceiros em programas importantes, no caso, da produção de vacinas contra a gripe no Brasil que começam agora e já vem de muitos anos pondo o Brasil na frente nessa matéria.

Aliás, o Butantan, no qual o Isaias é a alma daquela instituição, seu grande timoneiro, produz 90% das vacinas no Brasil. É um caso típico da combinação de pesquisas, de espírito publico e daquilo que a gente tem de melhor aqui em São Paulo.

A trajetória da ciência é sempre assim: é um percurso que as gerações que se sucedem, vão fazendo as contribuições, vão se acumulando e os benefícios se espalham, se multiplicam pela nossa sociedade. E eu tenho certeza que nós vamos ter aqui, entre todos esses que participaram do programa, grandes cientista e pesquisadores do nosso futuro, que vão substituir os do presente com vantagem, vão estar mais adiante e vão lembrar sempre desta experiência.

Muito obrigado.