Serra discursa no desfile do 1º Concurso de Moda Inclusiva

Governador José Serra: Queria dar o meu boa noite a todos e a todas. Este é um evento muito importante. Eu tenho, desde a época da Prefeitura da Capital, e agora […]

ter, 09/06/2009 - 23h00 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Queria dar o meu boa noite a todos e a todas.

Este é um evento muito importante. Eu tenho, desde a época da Prefeitura da Capital, e agora no Governo do Estado, abordado a questão do deficiente físico de duas maneiras. Primeiro, a necessidade da vida normal. Ou seja: acessibilidade para quem tem dificuldade de locomoção, treinamento e qualificação para o trabalho e, inclusive, iniciativas como esta, que é de moda, para pessoas que têm alguma deficiência. E digo moda não apenas do ponto de vista prático, da roupa, mas também da beleza e do aspecto estético. Ou seja: não se trata de apenas fazer roupas funcionais, mas também bonitas. Por outro lado, nós estamos enfatizando mais no Governo do Estado, agora, o trabalho de reabilitação. Ou seja: reabilita-se até onde se puder chegar, e dá-se todas as possibilidades para que a vida seja a mais normal possível. Significa ter as mesmas condições de cidadania.

Eu tenho feito, inclusive, uma pregação junto aos prefeitos de São Paulo, para que tomem iniciativas parecidas com as nossas – criem uma Secretaria, como nós criamos na Prefeitura e depois no Estado, ou criem uma Coordenadoria, ou ponham uma pessoa trabalhando (exclusivamente para os portadores de deficiências), dependendo do tamanho da Prefeitura. Por quê? Porque nós temos que ganhar o conjunto da sociedade para essa causa.

Pelos dados que se tem, há 4,2 milhões de pessoas no Estado com problemas, com algum tipo de problema de mobilidade. E só a ação do Governo não vai resolver. É muito importante que haja uma consciência da sociedade, para que essas coisas virem normais.

Então, vou dar exemplos. Nós fizemos o Museu do Futebol e o Museu da Criança, o Catavento, que é de ciência e tecnologia. Eu não sei aqui quem conheceu um ou outro, ou os dois. São duas coisas espetaculares, modéstia à parte. Um foi feito no (Estádio do) Pacaembu e o outro no Parque Dom Pedro, no Palácio das Indústrias, que é (um prédio) antigo, dos anos 20. E nós fizemos toda a adaptação, teve obras, obras, obras e obras para adaptar. Pois bem… a acessibilidade nos dois é praticamente perfeita, porque foi feita no meio da reforma, foram introduzidos critérios, os custos foram insignificantes e a acessibilidade é perfeita.

Se tivesse de fazer e depois corrigir… aí custa uma fortuna, como é o caso do Metrô. Nós estamos gastando mais de 80 milhões de reais (com adaptações em estações do Metrô) e, mesmo assim, ainda vai ficar limitado, porque tem tantas estações do Metrô, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e tudo mais. Portanto, quando esse problema é colocado desde o inicio, já vira uma coisa de consciência, de maneira das coisas funcionarem, é muito mais fácil de ser enfrentado.

Na reabilitação, nós estamos caminhando para fazer seis hospitais novos em São Paulo, no Estado. Vai ter um efeito enorme sobre o emprego de todos os profissionais da área, entre os quais os fisiatras. Os médicos fisiatras, como a Linamara (Battistella, secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência), são um detalhe, porque o que vai operar mesmo é o fisioterapeuta, o psicólogo, a enfermeira de especialidades – enfim, um conjunto de profissionais de saúde que vão estar funcionando em cada uma dessas unidades. Sem falar de outros lugares que nós modernizamos muito, como a Estação Especial da Lapa (instituição do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo que realiza eventos de natureza educacional, cultural, profissional e recreativa). Eu fui outro dia e achei uma maravilha.

Portanto, estamos realmente muito empenhados nessa causa. E a iniciativa de hoje me parece extremamente importante, significativa e, além do mais, agradável. Estamos também abrindo um mercado de talentos, porque isso aqui é um incentivo ao talento, à criatividade. Eu insisto, inclusive, no aspecto da beleza. Há uma música do Caetano… ele diz: “gente é para brilhar”. Eu acho que a gente tem que cuidar da parte funcional e também da parte estética, da parte da beleza.

Por outro lado, este concurso foi bastante procurado… 170 inscrições feitas, com 340 trabalhos, dos quais saíram os 20 finalistas de hoje. Essas 340 vestimentas, pelo que eu fui informado, apresentaram um alto nível em todos os aspectos exigidos para atendimento do público para o qual foram criados – e aparentemente o júri teve bastante trabalho. Quem foi o júri? Quem é o júri? Quantas pessoas são? Deve ter gastado um bom tempo olhando. Uma estilista francesa… Eu já fui do júri, jurado, dá uma trabalheira enorme, é uma coisa até meio neurotizante… porque a escolha acaba tendo um grau de subjetividade muito alto, não é uma coisa objetiva, fácil de se resolver. Eu acho que o Paulo Borges (diretor da São Paulo Fashion Week) tem que ficar esperto, porque com o tempo esse concurso de Moda Inclusiva – o nome eu acho bom, Moda Inclusiva é um achado – pode se tornar até um rival, exagerando, do evento do qual ele foi o criador. Mas eu acho que ele não vai ficar aborrecido com isso.

Nós reunimos jovens talentos, como eu disse, que participaram do concurso. Eu queria agradecer, junto com a Linamara, os atores e mestres-de-cerimônia, a Isabel Filardis e o Julio Rocha. Os membros do júri de seleção, eu queria cumprimenta-los também, através da Deuzeni Goldman, que é esposa do vice-governador (Alberto Goldman). E também eu queria agradecer os apoiadores do evento, o Grupo Vicunha, a Universidade Anhembi Morumbi, a São Paulo Fashion Week e o Pense Moda. Eu queria dar parabéns a todas essas pessoas, entidades e à Linamara. E que esse concurso de Moda Inclusiva entre na moda, vire moda e vá cada vez melhor a cada ano.

Hoje é um dia histórico porque nós estamos participando da fundação desse desfile. Nos próximos anos, ele vai prosperar e o pessoal nem vai lembrar de quem fez, de quem teve a iniciativa e tudo mais. Mas o mais importante é que a causa pegue, como a Virada Cultural. Nós criamos a Virada Cultural em São Paulo. Foi uma iniciativa de quando eu estava na Prefeitura, foi minha, até, a idéia. A Virada Cultural virou um evento acima do bem e do mal, da cidade. Porque nós esperamos também que no futuro esse evento pegue de uma tal maneira que ele seja considerado como algo natural. Fruto não da iniciativa de alguém, mas fruto de uma necessidade e também de um gesto de inteligência.

Muito obrigado!