São Paulo: prioridade na geração de empregos

Estamos numa etapa da economia mundial em que as novas funções e oportunidades surgem a todo momento. Nosso dever é estar preparado para elas

João Doria
Governador do Estado de São Paulo

seg, 24/06/2019 - 16h28 | Do Portal do Governo

O melhor programa social é o emprego. Ele é garantia de autonomia econômica, de prosperidade social e de independência dos trabalhadores em relação ao clientelismo. Gerar empregos é ter certeza de que a economia está no caminho certo e o Brasil vai se transformar num país melhor.

Emprego tem sido nossa obstinação. E esse lema não se resume a palavras. Mesmo antes da posse, preparamos projetos para preservar e ampliar o número de empregos no Estado de São Paulo. Desenvolvemos, com nossa equipe de secretários, linhas de atuação para criarmos um novo ciclo de empregabilidade.

Diante do quadro ainda adverso da economia, consequência da dura realidade orçamentária, nossa primeira preocupação foi a de não perder postos de trabalho. Em dezembro, quando ainda não tínhamos tomado posse, recebemos informação de que a GM iria fechar duas fábricas em São Paulo, como parte do seu processo de reengenharia global. Seriam 65 mil desempregados.

Imediatamente, em plena transição de governo, abrimos entendimentos com a General Motors. Com nossa equipe de secretários e técnicos, implantamos o IncentivAuto. A iniciativa se mostrou adequada para garantir os empregos existentes e ampliar as contratações no setor automotivo. O IncentivAuto é um programa capaz de modernizar o parque industrial das montadoras já instaladas em São Paulo, atraindo investimentos que estavam sendo redirecionados para fora do Brasil. Não há guerra fiscal. Nossos competidores não estão no Brasil. Estão fora daqui.

O Brasil não pode ser um país periférico, isolado das cadeias globais de produção. O IncentivAuto tem esse papel integrador, colocando o parque automotivo paulista em linha com o que acontece no resto do mundo. Os benefícios do nosso programa já podem ser medidos em diversas frentes.

A GM garantiu a continuidade de 65 mil empregos, entre diretos e indiretos, que estavam ameaçados pela decisão da matriz. Mais do que isso: a GM anunciou um novo investimento de R$ 10 bilhões até 2024, com a geração de 1.200 novos empregos diretos. O IncentivAuto foi decisivo também, para que a Scania anunciasse R$ 1,4 bilhão em investimentos até 2024, na sua fábrica de São Bernardo do Campo, gerando 400 novos empregos, além de manter os existentes.

A Honda abriu a fábrica de Itirapina, que nunca havia produzido um automóvel desde que ficou pronta, em 2016, auge da recessão dos governos do PT. Trata-se de uma unidade que se iguala às mais modernas fábricas da Honda no mundo. Vai gerar 2 mil novos empregos nos próximos dois anos.

A Toyota anunciou uma revolução mundial: o primeiro carro híbrido flex, movido a etanol, gasolina e eletricidade, prometido como o híbrido de consumo mais limpo do mundo. Em quatro meses, essa tecnologia desenvolvida no Brasil, inclusive com a participação da USP, estará nas ruas de São Paulo e do País, para em seguida, ganhar o mundo, garantindo assim mais 900 empregos diretos no nosso Estado.

Quando defendo enfaticamente a reforma da Previdência, é porque sei o quanto ela é necessária para atrair capital e assegurar novos investimentos e empregos no Brasil. Um ciclo que São Paulo já deflagrou. Não apenas porque temos aqui a melhor infraestrutura e melhores universidades. Mas temos aqui o melhor capital humano e o maior mercado consumidor da América Latina.

Começamos a viver uma nova fase do emprego e renda. Para acelerar ainda mais, é necessária a modernização da indústria, o emprego da tecnologia no agronegócio, a facilitação de serviços digitais e o treinamento de mão de obra. É, por exemplo, o que já está acontecendo em Louveira com a abertura, em maio último, do Centro de Inovações da Procter&Gamble, um investimento de R$ 200 milhões que criou 150 novos empregos de alta qualificação.

Estamos numa etapa da economia mundial em que as novas funções e oportunidades surgem a todo momento. Nosso dever é estar preparado para elas, competindo em condições de igualdade com qualquer país do mundo.

A Qualcomm, por exemplo, está construindo, em Jaguariúna, a primeira fábrica de semicondutores para celulares do Brasil, uma das três mais modernas do mundo. Uma fábrica decisiva para que o Brasil domine a tecnologia da chamada indústria 4.0, a da “internet das coisas”. Lá, teremos cerca de 1.000 empregos diretos, em funções de grande especialização. A fábrica deverá entrar em fase de testes no início do próximo ano, e de produção até o final de 2020.

Vamos criar na Capital de São Paulo, o Citi, Centro Internacional de Tecnologia e Inovação, para abrigar o Vale do Silício brasileiro, estimulando a nova economia digital. Formaremos essa mão de obra especializada e aprofundar a integração de empresas com universidades e governos, à semelhança do que fizeram Estados Unidos e China.

E também vamos preparar técnicos. Temos duas iniciativas para isso. A primeira é o Novotec, o novo ensino técnico, que já começa a oferecer vagas para alunos do ensino médio que desejam se credenciar, diretamente, para o mercado de trabalho. A outra é o programa Meu Emprego, uma plataforma online que integra todos os cursos gratuitos de qualificação profissional, oferecendo 130 mil vagas.

Em outro movimento, queremos fortalecer a interiorização da indústria. Criamos um programa de pólos de desenvolvimento, abrangendo empresas de 11 setores econômicos e contemplando todas as principais cidades de São Paulo. Os benefícios da integração aos pólos vão desde as simplificações tributárias e regulatórias, até a customização de cursos técnicos, voltados para as especialidades de cada polo e região. E já temos a primeira conquista: a CSN anunciou em junho investimento de R$ 1,5 bilhão em uma laminadora de aço que integrará o Polo Metal-Metalúrgico, com a previsão de criar 400 empregos diretos e 1.000 indiretos. Outros investimentos em diversos setores estão a caminho.

O novo ciclo do emprego em São Paulo também contempla o setor público, em braços fundamentais para a boa execução dessas políticas de estímulo ao investimento e à qualificação da mão de obra. Nesse ano, autorizamos a contratação de mais de 20 mil professores, sendo 3.156 nomeados e mais de 17 mil temporários, contratados até maio. São profissionais fundamentais para que nossas crianças e jovens estejam aptos para o novo mundo do trabalho.

Também nomeamos 3.739 policias militares e da Polícia Técnico-Científica e autorizamos a contratação de 8.300 policiais civis, militares e técnicos-científicos em concursos que serão realizados a partir do próximo ano. Um Estado seguro é destino competitivo para investimentos globais. Nessa semana, demos posse a 98 novos procuradores do Estado. São Paulo não para.

Os dados oficiais comprovam a liderança de São Paulo nesse novo ciclo do emprego. Segundo o Caged, o Brasil teve um saldo positivo de 313.835 vagas de janeiro a abril deste ano. Apesar de ter 22% da população e responder por cerca de 33% do PIB nacional, o Estado de São Paulo contabilizou 40% dos empregos formais criados no Brasil nesse início de 2019, com destaque para construção civil, indústria de transformação, serviços e agronegócio.

Em cinco meses, o Estado de São Paulo preservou e criou empregos para mais de 200 mil pessoas, beneficiando quase 1 milhão de brasileiros de São Paulo. Ainda há muito por ser feito. Mas o trabalho e o emprego vão vencer os erros do passado. E o pessimismo do presente.