O turismo e a poupança de quarentena

Engana-se quem pensa que o turismo saiu de cena, porque ele jamais abandonou o imaginário coletivo - e há provas disso

Vinicius Lummertz
Secretário de Turismo do Governo do Estado de São Paulo

sex, 02/10/2020 - 14h48 | Do Portal do Governo

O conceito de liberdade, naturalmente implícito à atividade turística, passou a significar o oposto do que recomendavam os protocolos de segurança e a ideia de confinamento. Como pegar um avião, hospedar-se em um hotel ou visitar um novo destino se tudo o que devemos fazer é não sair de casa?

A quarentena levou o turismo de São Paulo a registrar o pior impacto econômico que se teve notícia nas últimas décadas: 138 mil empregos desapareceram, o estado perdeu mais de 17 milhões de viagens e as perdas econômicas vão bater os R$ 16 bilhões até o fim do ano.

Mas engana-se quem pensa que o turismo saiu de cena, porque ele jamais abandonou o imaginário coletivo – e há provas disso: em meio a notícias tão desanimadoras, o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), em parceria com a Fundação Instituto de Administração, da USP, confirmou a existência de uma poupança de viagem robusta do viajante de São Paulo, estimada em R$ 41 bilhões, que está prestes a desaguar em destinos dos mais variados, sejam eles no próprio estado, no Brasil ou em destinos internacionais.

O turismo de São Paulo pode ficar com até R$ 13,1 bilhões dessa poupança, segundo as projeções, o que significa uma injeção de ânimo significativa para a economia do estado e para todo o setor que, ao contrário do que alguns imaginam, responde por um em cada dez postos de trabalho.

Estou certo de que cada real de salário que teve como destino a poupança de viagem foi um depósito de esperança no futuro, um dinheiro reservado para aquilo que se deseja muito, mas que o horizonte próximo ainda não permitiu colocar nos planos.

Estamos na iminência de pisar de novo no acelerador e de retomar a confiança. Estamos prestes a testemunhar uma disputa acirrada pela poupança de viagem do turista de São Paulo. Estão todos de olho nessa reserva que pode recender comércios e reativar serviços de 52 segmentos ligados direta ou indiretamente ao turismo.

A decisão vai depender do grau de confiança do turista, da estratégia de atração do destino e, sobretudo, da evolução da epidemia. A retomada pede cautela, a exemplo do que tem ensinado o Plano São Paulo, garantido um retorno seriado das atividades e esforços na produção de uma vacina contra a Covid-19.

Enquanto ela não chega, destinos de proximidade são, nesse momento, a primeira etapa para um retorno consistente, preservando o distanciamento social, privilegiando os destinos de natureza e as viagens em pequenos grupos. Ao priorizar a proximidade, o turista ainda reforça aquela ação nobre que tanto praticamos na quarentena: a de beneficiar o produtor local, seja ele o comerciante, o agente de turismo ou vendedor de côco.

Vamos terminar essa conversa com duas boas notícias. A primeira, é que falta pouco e já é possível se movimentar pelos destinos de forma cuidadosa. A segunda, é que o turismo de proximidade está longe de limitar as boas escolhas no nosso país: aquela experiência inesquecível de viagem pode estar a poucos quilômetros de distância de você.