Jardins do Palácio dos Bandeirantes guardam tesouros

Árvores nativas e exóticas que fazem parte do bosque da sede do Governo do Estado possuem beleza e valor inestimáveis

qui, 20/10/2016 - 9h43 | Do Portal do Governo

Entre os tesouros do Palácio dos Bandeirantes, situado no bairro do Morumbi, em São Paulo, estão cerca de 1,7 mil obras de arte que compõem o acervo cultural da sede do Governo do Estado. Mas existe também outro patrimônio, difícil de ser mensurado em termos de riqueza, situado em sua parte externa: os jardins que reúnem cerca de duas mil árvores.

Esse pulmão verde, que ocupa 76.964 m2 de área, agrega 200 espécies diferentes, a maioria nativa, mas também existem árvores exóticas, muitas delas plantadas por governadores do Estado e visitantes ilustres, como o Cedro plantado pelo então presidente do Líbano, Elias Hraoui, em 1967.

Um passeio nos bosques do Palácio possibilita o contato com árvores como jatobás, pau-ferro, ipês e sibipurinas, entre outras nativas, muitas plantadas pelas mãos de governadores. São Jatuís, paus-brasil, jequitibás, ipês e paus-ferro plantados pelos governadores Geraldo Alckmin (atual), Mario Covas (1995-2001), Luiz Antonio Fleury (1991-1995), Orestes Quércia (1983-1986 e 1987-1991), Paulo Maluf (1979-1982) e Laudo Natel (1966-1967 e 1971-1975).

Alckmin replantou recentemente uma árvore de pau-brasil, a árvore símbolo do país, que não havia prosperado, e plantou outros exemplares do mesmo gênero. Já a primeira-dama Lu Alckmin é responsável por uma árvore de canela, próxima a um jatuí, ou jatobá, plantado pelo marido.

O ex-governador Mario Covas e sua mulher Lila Covas plantaram várias árvores de pau-brasil, por ocasião de uma campanha, em 1995, de reflorestamento da espécie, ameaçada de extinção. Dois anos depois, o governador convidou o então presidente da República do Líbano, Elias Hraoui, para plantar um cedro nos jardins, em homenagem à amizade dos povos brasileiro e libanês.

Entre as árvores exóticas, há um bosque composto por 100 cerejeiras, plantadas em 1995, também no governo de Mario Covas, como homenagem a uma árvore para cada um dos 100 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, assinado em Paris, França, em 5 de novembro de 1895 (121 anos comemorados em 2016), símbolo do início formal de relações entre os dois países.

Também plantaram algumas espécies secretários de Estado, como o jornalista Blota Júnior, famoso na década de 1970, que foi secretário de comunicação em 1979, e personalidades como o diplomata Rubens Ricupero, assessor internacional de Tancredo Neves, representante do Brasil na ONU e ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos.

As árvores plantadas nos jardins do Palácio estão protegidas por um decreto de 1989 que as considera Patrimônio Ambiental e proíbe o corte de todos os exemplares arbóres. Pássaros como tucanos, sabiás, quero-queros, sanhaços, e até símios como os saguis são atraídos por diversas árvores frutíferas. Há ávores de caqui, café, amora, lichia, goiaba, cereja, abacate, jaca e castanha do Pará.

As espécies mais antigas são duas araucarias que, segundo Mauro Barros, já estavam no local quando, quinze anos atrás, ele foi convidado para cuidar dos jardins do Palácio dos Bandeirantes. Barros foi responsável durante muitos anos pela conservação das árvores e também pela compra de adubos e outros insumos.

Ele acompanhou a reportagem e disse que as duas imensas tílias que ornam a fachada do Palácio também são antigas e já estavam lá quando ele chegou.

Confira algumas das espécies de árvores nativas encontradas no Palácio dos Bandeirantes:

Pau-ferro – árvore nativa da Mata Atlântica, com folhas pequenas e madeira extremamente dura, muito resistente à água.

Ipê Amarelo – árvore nativa dos Cerrados brasileiros e presente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo e também no Paraguai e Argentina.

Ipê Roxo – árvore nativa da América do Sul, originária da Mata Atlântica, presente em vários Estados brasileiros e países da América do Sul, América Central e América do Norte (México).

Pau-brasil – árvore nativa da Mata Atlântica, cujo nome deriva de Braza, ou abrasado, devido à tonalidade escura da madeira. Outra versão atribui o nome ao francês brésil que, por sua vez, deriva do toscano Vérzio, nome de madeira utilizada na Itália. Em alguns idiomas, a árvore pau-brasil é chamada de pernambuco, devido à grande quantidade existente na Zona da Mata de Pernambuco, durante o período do Brasil Colônia. A espécie é considerada ameaçada de extinção.

Jataí ou Jatobá – árvore existente em toda a América Latina, principalmente na Amazônia. É empregada em larga escala na construção civil, mas também para fabricar equipamentos esportivos, cabos de ferramentas, objetos de decoração e de arte. Seringueiros e habitantes próximos de florestas utilizam sua casca para fazer um chá medicinal.

Sibipuruna – árvore de grande porte, nativa do Brasil, muito procurada para arborização. Floresce a partir de agosto e pode viver até 100 anos.

Canela – árvore nativa, florece no sul do país, entre dezembro e janeiro, e dá frutos de junho a julho. Suas flores são branco-amareladas e o fruto tem cerca de 2 cm de comprimento, de cor marrom.

Jequitibás – árvore nativa da Mata Atlântica, da região Sudeste, possui folhas de tom avermelhado na Primavera e flores claras ou vermelhas. Pode atingir até 60 metros de altura (igual um prédio de 20 andares). Há registro de árvores dessa espécie com até 3 mil anos de idade.

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