Governo do Estado de São Paulo

Stent coronário será produzido no Brasil

Equipamento, atualmente importado, é usado para desobstruir artérias e veias

Raquel Lima

DA AGÊNCIA ANHANGÜERA

rlima@rac.com.br

O mercado brasileiro deverá receber até o final do ano que vem os primeiros stents coronários e periféricos (implantados em artérias fora da região do coração) com tecnologia totalmente nacional. Stents são pequenas telas de metal acompanhadas de um balão, colocadas nas artérias e veias obstruídas. Ao inflar o balão, o stent se expande e permite que o sangue flua normalmente, evitando, assim, enfartes ou operações cirúrgicas de grande porte, como a ponte de safena. Hoje, o produto é importado e tem custo elevado, o que impede o acesso de parte da população a essa tecnologia.

Anualmente, cerca de 80 mil operações de implante de stents coronários são realizados no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHC). O número representa um décimo da quantidade de operações deste tipo realizada nos Estados Unidos.

O comerciante Clóvis Aparecido Mokarziel, de Campinas, tinha 46 anos em 2003, quando passou mal numa madrugada e foi imediatamente internado. Os médicos constataram que uma de suas veias estava 95% obstruída. A obstrução em outras duas variava entre 25% e 30%. Neste caso, a própria medicação e uma dieta mais equilibrada resolveriam o problema. No caso mais grave, só um stent poderia resolver. O stent, importado, custava R$ 11 mil. “Isso ocorreu num momento que passávamos dificuldades financeiras. Negociamos o pagamento em duas vezes, mas foi muito difícil”, declarou.

O produto com tecnologia nacional está sendo desenvolvido pela empresa Innovatech, que faz parte do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec). De acordo com o diretor da Innovatech, Spero Morato, o objetivo é ter como seu principal cliente o Sistema Único de Saúde (SUS). “Realizamos testes em coelhos e, em breve, vamos testar o aparelho em humanos”, declarou. Ainda de acordo com Morato, estão sendo produzidos stents recobertos com polímeros, trabalho que é desenvolvido pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e também stents sem o revestimento. “Os revestidos são sofisticados”, explicou.

O diretor da Innovatech afirmou que ainda não é possível estimar o valor dos aparelhos desenvolvidos com a tecnologia nacional, mas declarou que a redução do preço pode chegar a 50%.

O trabalho da Innovatech é realizado em parceria com o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Scitech, uma empresa do ramo médico-hospitalar associada à Agência de Inovação (Inova) Unicamp.

Cietec

O Cietec foi criado em abril de 1998 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), USP, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Cada vez mais as pesquisas estão sendo realizadas dentro das próprias empresas”, comemorou Morato.

O NÚMERO

2004 ANO. É quando a Innovatech passou a integrar as empresas incubadas no Cietec