Qua, 20/01/16 - 13h02

Cartilha da USP tira dúvidas de gestantes sobre o vírus Zika

De forma simples e direta, o texto esclarece sobre o contágio, os cuidados e a prevenção, a microcefalia e os demais riscos às mães e recém-nascidos

Um material didático que busca esclarecer dúvidas das gestantes em relação ao Zika Vírus acaba de ser divulgado pela USP (Universidade de São Paulo). O responsável pelo conteúdo da "Cartilha de Orientação para Gestantes sobre Infecção pelo Zika Vírus" é o professor Geraldo Duarte, responsável pelo Setor de Gestação de Alto Risco do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP).

De forma simples e direta, o texto esclarece sobre o contágio, os cuidados e a prevenção, a microcefalia e os demais riscos às mães e recém-nascidos.


Como a infecção pelo vírus Zika se manifesta?
De forma geral, a evolução da doença é benigna, com período de incubação (do contato com o vírus até o aparecimento do primeiro sinal ou sintoma) de quatro dias.


Pessoas com o quadro clínico completo da infecção pelo vírus Zika apresentam exantema (manchas pelo corpo), febre baixa, conjuntivite (olhos vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e artralgia (dor nas articulações). Estas manifestações podem durar até uma semana.


Todas as pessoas com a infecção pelo vírus Zika apresentarão sintomas ou sinais da doença?
Não. De cada 10 pessoas infectadas pelo vírus Zika, espera-se que somente duas apresentem os sinais e os sintomas descritos no item anterior.


Portanto, um grande percentual de pessoas pode ter a doença e não saber que tem ou teve a doença.


Síndrome de Guillain-Barré
A síndrome de Guillain-Barré tem várias causas e o vírus Zika também é responsável pelo desenvolvimento de alguns casos desta síndrome em adultos.


Ela é uma doença imunológica que acomete o cérebro, provocando inúmeros sintomas e sinais.


Dentre as várias formas de manifestações clínicas, a principal é a fraqueza dos membros inferiores em graus variados, podendo chegar inclusive à paralisia das pernas.


As gestantes devem ficar atentas, pois os sinais e sintomas da dengue, Chikungunya e Zika são muito parecidos. O médico precisa ser procurado imediatamente na suspeita de qualquer uma destas infecções.


Como a infecção pelo vírus Zika é transmitida?
O vírus Zika é transmitido por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite o vírus da dengue e o vírus Chikungunya.


Por esse motivo, as medidas de prevenção e controle são as mesmas já adotadas contra a dengue e para o Chikungunya.


Assim, deve-se evitar a multiplicação do mosquito, eliminando os locais em que ele prolifera. Na realidade esta é a única forma efetiva de controlar estas infecções.


Existe tratamento contra a infecção pelo vírus Zika?
Apenas tratamento sintomático. Não há tratamento específico contra o vírus Zika


O tratamento sintomático baseia-se no uso de acetaminofen (paracetamol) para febre e dor, conforme orientação médica.


Não está indicado o uso de ácido acetilsalicílico e drogas anti-inflamatórias, devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas, como ocorre com a dengue. Orienta-se procurar o serviço de saúde para condução adequada.


O que é microcefalia?
De forma simples, o conceito de microcefalia está relacionado com uma medida menor que a esperada para a idade gestacional da cabeça do feto ou do recém-nascido.


Esta medida pode ser feita no feto (por ultrassonografia) ou após o nascimento, medindo a circunferência (em volta da cabeça) do recém-nascido, também chamado de perímetro cefálico.


Por isto, fixar um valor único para a medida e classificação do recém-nascido ou o feto portador de microcefalia pode trazer resultados inadequados.


No entanto, para fetos ou crianças acima de 37 semanas, sem nenhuma doença, espera-se que a circunferência craniana (perímetro cefálico) esteja acima dos 32 cm.


Existem casos mais ou menos graves de microcefalia?
Quanto mais acometido for o encéfalo fetal, mais grave será o quadro clínico decorrente da microcefalia.


Se meu bebê tiver microcefalia eu posso solicitar aborto?
Não. Em casos de má formação, o aborto permitido por lei só é liberado em casos de anencefalia (não formação do cérebro), o que é diferente da microcefalia.


Quais são as causas conhecidas de microcefalia?
Sabe-se que as microcefalias apresentam várias causas. Pode ser decorrente de causas genéticas, radiações, uso de álcool, oxigenação cerebral fetal insuficiente e processos infecciosos durante a gravidez, entre outras.


As evidências disponíveis até o momento indicam fortemente que o vírus Zika está relacionado à ocorrência de microcefalias. No entanto, não há como afirmar que a presença do vírus Zika durante a gravidez leve sempre ao desenvolvimento de microcefalia no feto.


A exemplo de outras infecções congênitas, o desenvolvimento dessas anomalias depende de diferentes fatores. Eles podem estar relacionados com a carga viral, fatores do hospedeiro, momento da infecção ou a presença de outros fatores e condições desconhecidos até o momento.


Por isso, é fundamental continuar os estudos para descrever melhor a história natural dessa doença.


Porque o vírus Zika causa microcefalia?
Até o momento, não se conhece o mecanismo pelo qual o vírus Zika causa microcefalia.


As informações aqui prestadas se baseiam no que se sabe a respeito deste assunto até o momento.


Sabe-se que ele entra no organismo materno pela picada do Aedes aegypti e após, pela circulação sanguínea, chega ao feto. Como este vírus tem predileção pelo tecido nervoso, esse é o tecido no qual ele provocará o dano que resulta na microcefalia.


Existe vacina contra o vírus Zika?
Não existe vacina contra o vírus Zika até o momento.


Como posso evitar ser infectada pelo vírus Zika?
Visto que o vírus Zika chega ao organismo humano por meio da picada do Aedes aegypti, é possível evitar a infecção pelo vírus Zika, evitando a picada deste mosquito.


A melhor forma de evitar a infecção é controlar a proliferação do mosquito. Mas se esse controle falhar, deve-se evitar a picada.


As formas de evitar a picada consistem na proteção da pele, deixando o mínimo de pele exposta.


Na pele exposta, proteger com repelente.


Se usar tecido muito fino ou de trama larga, aplicar o repelente por cima do tecido.


De forma geral, os repelentes naturais não são eficientes.


Grávida pode usar repelente?
Sim, a grávida pode usar alguns repelentes não naturais. Normalmente, esses produtos trazem informações quanto ao uso por gestantes em suas embalagens.


Os mais indicados são aqueles à base de “Icaridina”, nome comercial “Exposis®”, com tempo de ação que pode durar até 10 horas.


Também podem ser utilizados o “DEET”, nome comercial “Off Repelex®”, (concentração de 15%) e o “IR3535”, nome comercial “Loção antimosquito Johnson®”.


Devem ser evitados contatos com olhos, boca e nariz.


Os repelentes que funcionam quando são ligados na “tomada de luz elétrica” podem ser utilizados desde que estejam a mais de dois metros da gestante.


Para mulheres que planejam engravidar, o que fazer?
Considerando relação entre a ocorrência de microcefalia e a infecção pelo vírus Zika, recomenda-se aos serviços e profissionais de saúde que informem a todas as gestantes e mulheres em idade fértil a respeito deste risco.


Claro que a decisão é do casal, mas a equipe de saúde deve esclarecê-las do risco.


Estou grávida e quero viajar para o Nordeste, posso?
Deve-se seguir a mesma orientação anterior. Para grávidas que querem viajar para as regiões de maior frequência da doença (a exemplo do Nordeste), é preciso orientá-las e esclarecer sobre os riscos. Não há como proibir.


Mais informações pelo telefone (16) 3602-2843.


As informações são da Portal da USP.


Do Portal do Governo do Estado