Dom, 03/08/08 - 12h56

Escola mais antiga será restaurada

Jornal da Tarde - Domingo, 3 de agosto de 2008.

Jornal da Tarde

Aos 135 anos, a escola mais antiga em funcionamento do País será restaurada. Começaram na semana passada as obras na Escola Estadual Culto à Ciência, no centro de Campinas a 95 km de SãoPaulo). Os  R$ 4milhões, maior montante de recursos já investido pelo governo do Estado em restauração de um aunidade escolar, serão usados para recuperar três prédios, tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas.

Onze blocos e anexos não-tombados serão reformados. O investimento previsto na primeira fase de obras é de R$ 2,9 milhões, segundo informou a secretaria. De acordo com a diretora da escola, Débora Seneme Gobbi , a obra começará pelos laboratórios de química, física e biologia. Passarão por reparos também a sala de informática e a do grêmio, a biblioteca, um pátio coberto, o prédio da administração, o auditório, a piscina, o ginásio e a sede da associação de ex- alunos.

A conclusão das obras está prevista para o ano que vem. A Culto à Ciência funciona desde abril de 1873 em uma área construída de 8milm2, em um terreno de 23 mil m2. É a mais antiga escola em funcionamento em um mesmo local.

Tem 60 professores efetivos e 1.200 alunos em 33 classes de Ensino Médio, em três períodos. A demanda da escola ultrapassa os limites do município. Há alunos de quase toda a Região Metropolitana de Campinas lá. Como Davi Beganskas, 17anos, do 3º ano matutino. “Sempre estudei em escola particular e no ano passado não deu mais para minha mãe pagar.Agente mora em Hortolândia (a 15 km de Campinas), onde não há escola do mesmo nível.”

A falta de manutenção foi o principal problema durante as décadas de funcionamento da escola e o maior medo da diretora e dos professores que abraçaram a idéia de conseguir verba para restaurar a escola.“ Mesmo com esse recurso, vamos precisar de verba para manter isso nos próximos anos.”

Medida de emergência

Outro entrave na hora de ajeitar a casa é o fato de a escola ter sido tombada. Parapodarouextrairumaárvore, por exemplo, é necessária autorização, o que leva tempo e,muitas vezes, fica só na intenção. As classes de números 13 e 14 foram desativadas após um pedaço de forro cair na cabeça de um aluno, no ano passado. “Pensávamos

que era por causa das chuvas, mas quando fomos investigar, eram raízes de seringueiras que estavam fazendo pressão no prédio”, conta a diretora. Há um mês, algumas dessas árvores foramretiradas.“ Quando vi oburaco onde uma dessas seringueiras estava, assustei: cabia um aclasse dentro.”Que molha o bloco de classes do lado de fora,enxerga a ameaça:um galho de um imenso fícus paira sobre o prédio.“Vendo assim, a árvore é linda, mas está completamente comprometida. Os alunos estão ameaçados, mas mesmo assim temos a morosidade do poder público em autorizar emandar podar”, afirmou o professor de história José CarlosRochaVieira Junior,50anos – 24 deles dedicados ao ensino na Culto à Ciência.

Foi ele quem encabeçou em julho do anopassado a campanha pela reforma e restauro e conseguiu, como auxílio de políticos,chegar à Secretaria de Estado da Educação, com um abaixo-assinado com 6 milassinaturas.

C.M.

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