Sáb, 28/07/07 - 10h52

Nova máquina de colher cana-de-açúcar reduz desperdícios e preserva empregos

Equipamento terá quatro toneladas e custará cerca de R$ 250 mil

 A colheita mecanizada da cana-de-açúcar aumenta a produtividade e traz benefícios ao meio ambiente, porém, reduz o emprego no campo. Como quase tudo na vida, o ideal seria o meio-termo. E foi justamente isso que os pesquisadores da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Unicamp, pensaram ao projetar a máquina Unidade Móvel de Auxílio à Colheita (Unimac). Ela preserva a metade dos trabalhadores, pois necessita de dez homens para operar na plantação.

“Em proporção, esse número significa que a metade deles será reaproveitada na operação da Unimac”, assegura o professor Oscar Antonio Braunbeck, coordenador do projeto na Feagri. Ressalta que os demais equipamentos, os convencionais, utilizam apenas 10% da mão-de-obra.Ou seja: de cem empregados, dez são reaproveitados na máquina.

Braunbeck informa que o novo modelo será mais leve e barato que os demais, além de operar em terrenos onde os outros não conseguem. Explica que as máquinas atuais são caras, de grande porte e não trabalham em terrenos com mais de 12% de declividade.

A Unimac irá operar em locais com declive de até 30%, devido à tração e direção nas quatro rodas. Como a operação exige o apoio de dez trabalhadores, a tendência é que haja redução do desperdício de cana, atualmente entre 5% e 10%, variando conforme a lavoura.

A Unimac colhe a cana e repassa para os empregados que a empilham. Depois, devolvem à máquina para a limpeza dos colmos – retirada da palha. Em seguida, a cana limpa é colocada numa caçamba para transporte.

Braunbeck acredita que o projeto mudará o padrão de mecanização da colheita da cana-de-açúcar, com uma máquina mais barata e compacta. As projeções indicam que pesará aproximadamente quatro toneladas e terá preço próximo de R$ 250 mil. As demais colhedoras, assegura o professor da Feagri, custam cerca de R$ 850 mil e pesam de três a quatro vezes mais. 

Conforto e segurança – O novo modelo, diz ele, foi projetado para garantir conforto e segurança aos trabalhadores. Todos os componentes obedecem aos princípios ergonômicos. “Os empregados das fazendas ou usinas não terão mais de trabalhar em posições desconfortáveis e inadequadas ou realizar movimentos repetitivos de forma exaustiva”, afirma.

Por ser uma máquina de movimento lento (percorre cerca de 300 metros por hora) seu motor é de baixa potência, 35 Hp. Essa característica torna possível o seu acionamento por eletricidade, a partir de um gerador acoplado.  

Produção ampliada – Pelos cálculos dos pesquisadores, a Unimac (com 7 metros de comprimento por 6 metros de largura) terá capacidade para colher até 200 toneladas de cana por dia, durante dez horas de trabalho. Nada impede, entretanto, que o equipamento opere até 24 horas ininterruptamente, por meio de turnos dos operadores.

Braunbeck observa que os mais produtivos cortadores de cana colhem, em média, dez toneladas por dia. “Pelas nossas estimativas, o custo da colheita pela Unimac será de R$ 4 toneladas por tonelada”, avalia o professor.

A pesquisa integra projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Desde 1992, a equipe de Braunbeck se dedica também a outros equipamentos para colheita de culturas como frutas e hortaliças.

Patente – A Unimac teve o seu pedido de registro de patente depositado pela Unicamp. O protótipo começou a ser construído em 2003 e encontra-se na fase final. Seu processo de adaptação é conduzido pela Soluções Tecnológicas para a Agricultura (Agricef), empreendimento abrigado na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). A intenção é aprontar a Unimac para testes na próxima safra de cana, em maio do ano que vem.

O preço estimado provavelmente não será acessível a pequenos e médios produtores, como reconhece Braunbeck. Porém, considera que a colhedora poderá ser adquirida por cooperativas agrícolas ou empresas prestadoras de serviços, contratadas por esses agricultores para a colheita da cana. “Sem essa opção, dificilmente terão condições financeiras de cumprir a legislação e mecanizar a colheita da cana”, pondera o professor da Feagri. 

Engenharia agrícola – A safra brasileira de cana-de-açúcar no período 2005/2006 ficou em torno de 400 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério da Agricultura. Com o interesse mundial pelo álcool, apontado como alternativa aos combustíveis derivados de petróleo, a tendência é a ampliação da produção nacional. Se o fato ocorrer, há risco de o País enfrentar sério gargalo tecnológico, pois os níveis de mecanização da colheita da cana ainda são baixos.

Braunbeck ressalta que o segmento de mecanização da colheita da cana-de-açúcar carece de novas idéias. As soluções atuais ainda se baseiam em modelos clássicos, concebidos há pelo menos 50 anos. “A engenharia agrícola tem muito a contribuir, sobretudo se desenvolver equipamentos sem grande complexidade, adequados às nossas necessidades”, afirma.

Cana chegou ao País há 487 anos

A cana-de-açúcar veio da Ásia, trazida ao Brasil por Martim Afonso de Souza, por volta de 1530. Inicialmente, o principal pólo da planta foi o Nordeste e, com o tempo, se expandiu para outros Estados, inclusive São Paulo, que responde por 60% da safra brasileira. Embora tenha outras aplicações, a cana é empregada basicamente como matéria-prima para a produção de açúcar e álcool.

Otávio Nunes

Da Agência Imprensa Oficial

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