Qui, 04/06/09 - 09h25

São Paulo terá Nova Marginal do Tietê

Investimento de R$ 1,3 bilhão prevê, além de novas pontes e viadutos, plantio de cerca de 83 mil árvores e implantação de ciclovia

O governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab apresentaram nesta quinta-feira, 4, as obras da Nova Marginal do Tietê. Serão ampliados de cada lado 23 quilômetros de pistas criando-se três novas faixas, além da construção de sete obras de artes especiais (OAE), sendo quatro novas pontes (Complexo Bandeiras, Cruzeiro do Sul, Tatuapé e Complexo Dutra/ Castelo Branco) e três viadutos para melhorar a fluidez das vias local, auxiliar e expressa.

O empreendimento total está orçado em R$ 1,3 bilhão e terá investimentos do governo do Estado e das concessionárias que administram as rodovias Bandeirantes/Anhanguera e Ayrton Senna/Carvalho Pinto.  O governador José Serra afirmou que é importante sublinhar os investimentos que estão sendo feitos pelas concessionárias. "É uma obra que é financiada com recursos do Tesouro e com dinheiro público das concessionárias, que é dinheiro do pedágio, segundo projeto e orientação do próprio Governo."

A previsão de conclusão da obra para pistas auxiliares é março de 2010 e para complexos/obras de arte outubro de 2010. A Dersa, em conjunto com a CET, está desenvolvendo um plano de monitoramento e desvios para minimizar os impactos no trânsito durante a execução da obra. 

A construção da Nova Marginal será dividida em três trechos. Um de responsabilidade da Dersa, que vai do viaduto da CPTM (região da Lapa) até a confluência com a rua Ulisses Cruz, no Tatuapé, num total de 15,2 km. A concessionária AutoBan é responsável pelo trecho de 4 quilômetros, que vai do viaduto da CPTM até o Cebolão (rodovia Anhanguera). Já a concessionária que assumirá a rodovia Ayrton Senna, será responsável pelo trecho do Tatuapé à Ayrton Senna, no total de 3,5 quilômetros.

No evento desta quinta-feira, foram apresentados os principais argumentos relativos à compensação ambiental prevista pela obra. De acordo com o governador, "é uma obra que está tendo todo o cuidado ecológico, o que não é tradição em São Paulo, pois as obras e a devastação andavam de mãos dadas, mas isso acabou nos tempos atuais", afirmou Serra.

Benefícios

Atualmente, a marginal Tietê apresenta filas de congestionamento de 30 km, em média, nos períodos de pico, representando 25% do total de congestionamento medido na cidade de São Paulo. Para se ter uma idéia, o desperdício de tempo significa 1,7 milhão de horas/ano e o de combustível, 1,5 milhão de litros/ano.

Com as obras, o tempo das viagens diminuirá cerca de 35%. Gargalos como nos bairros do Tatuapé, Bom Retiro e Santana serão amenizados, graças à construção de novas pontes e viadutos. O tráfego para as rodovias Castelo Branco, Ayrton Senna, Dutra, Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes terá fluxo mais rápido. Junto com o Rodoanel e o Complexo Anhanguera, a Nova Marginal pretende aliviar o trânsito nas principais interligações de bairros de São Paulo e evitar o trânsito de veículos de passagem por bairros e o centro da cidade. Entre os benefícios indiretos da obra está a criação de 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos.

Compensações ambientais

A secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena, ressaltou a importância de recuperar o espaço das margens do Tietê com uma via parque, uma ciclovia e o plantio de 65 mil mudas. "Além de ter a importante função de conter as cheias, esta intervenção urbana na ampliação da marginal vai harmonizar a área de lazer com as novas faixas viárias ao mesmo tempo em que deve recuperar e preservar a função ambiental das várzeas", disse a secretária.


O programa de compensação ambiental prevê o plantio de cerca de 83 mil árvores ao longo da marginal e vias de acesso à mesma com melhoria de todo o calçamento existente.


Haverá investimento no Programa Várzeas do Tietê (vinculada a Secretaria de Energia e Saneamento), com objetivo de preservação da mesma, incluindo a execução de ciclovia como também Estrada Parque ao longo de 23,3 Km de extensão, com os seguintes benefícios:



- Reassentamento das famílias ao longo da Várzea do Rio Tietê como também controlar as vasões do trecho de jusante do Rio Tietê;

- Melhorar as condições ambientais na área de intervenção (implantação de sistemas de saneamento / intervenções hidráulica e recuperação ambiental);

- Criar opções de lazer, cultura, turismo, educação e prática de esportes para a população dos municípios;

- Proporcionar a sustentabilidade ambiental e econômica mediante a criação de unidade de conservação, como também o plantio de 65 mil árvores.

Detalhes da obra - Nova Marginal Tietê

- Criação de pistas auxiliares com três faixas de rolamento por sentido
- Implantação de pista auxiliar local nos trechos sob as pontes
- Construção de quatro novas pontes (próximas ao rio Tamanduateí, a ponte das Bandeiras, a avenida Cruzeiro do Sul e a ponte do Tatuapé)
- Construção de três novas alças de acessos (saída da Santos Dumont, final da Dutra e av. Salim Farah Maluf)
- Prolongamento das pontes existentes
- Implantação do sistema de monitoramento eletrônico de trânsito com informações para o usuário
- Nova sinalização de orientação
- Revitalização das áreas degradadas da Marginal e área do entorno
- Replantio de árvores no entorno da marginal e projeto Várzeas do Tietê
- Implantação de calçadas com vegetação para absorção de águas das chuvas.

Rodoanel e Complexo Anhanguera

Além da Nova Marginal, outras duas obras do governo do Estado estão ajudando a diminuir o trânsito e facilitar o fluxo de veículos em São Paulo: o Rodoanel e o Complexo Anhanguera.
 
O Rodoanel, a maior obra viária em andamento na América Latina atualmente, prevê a construção de 176 quilômetros de rodovias, interligando as 10 principais rodovias do Estado: Anhanguera, Bandeirantes, Raposo Tavares, Castelo Branco, Régis Bittencourt, Imigrantes, Anchieta, Ayrton Senna, Dutra e Fernão Dias. Quando todos os trechos estiverem concluídos  725 mil veículos, sendo 585 mil automóveis e 141 mil veículos comerciais (automóveis e ônibus) deverão ser retirados diariamente do tráfego urbano. Atualmente, está em funcionamento o trecho Oeste e sendo finalizado o trecho Sul. Com apenas esse trecho, houve um aumento de 55% da velocidade média dos veículos na avenida Francisco Morato e redução de 30% do transporte de cargas nas marginais. O trecho Sul irá melhorar ainda mais o trânsito na marginal Pinheiros e na avenida Bandeirantes.

Já, as obras do Complexo Anhanguera têm como objetivo desafogar parte dos congestionamentos na Marginal do Tietê e facilitar a travessia sobre o Rio Tietê e a chegada à Avenida Gastão Vidigal, porta de entrada para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). A obra consiste na implantação de pontes e viadutos no entroncamento com a Marginal Tietê que irão ampliar e reformular o tráfego desde a Ponte Atílio Fontana na Marginal Tietê, em São Paulo, até o km 19 da Via Anhanguera, região de Osasco. Duas das sete pontes já foram inauguradas e o restante da obra deve estar pronto em 2010.
 
Investimento em Transporte Metropolitano

A meta é 2010, mas o Plano de Expansão, desenvolvido pela Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, já produz os primeiros resultados. Em menos de dois anos, foram entregues dez novas estações com qualidade de Metrô (9 delas na CPTM), 9,6 km de linhas adicionais (trem e metrô), 12 trens novos e 28 totalmente modernizados, além de mais 33 km de corredores de ônibus, com 10 km de faixa exclusiva.
 
O Plano de Expansão 2007-2010 receberá recursos no valor de R$ 20 bilhões do Governo do Estado de São Paulo, o maior investimento no setor já feito no país. Um dos principais objetivos é quadruplicar a rede sobre trilhos com qualidade de metrô, dos atuais 61,3 km para 240 km (160 km em forma de metrô de superfície na CPTM), uma antiga reivindicação da população. O Plano de Expansão também vai inovar com a adoção do Metrô Leve, que convive bem com a cidade, pois o trem é menor, confortável, corre em superfície sem a necessidade de muros e pode ter áreas de lazer ao longo do percurso.
 
Ao todo, 40 mil empregos diretos e milhares indiretos estão sendo gerados pelo Plano de Expansão. Com a consolidação dos projetos, o número de pessoas que se deslocam pelo sistema metro-ferroviário aumentará em 55%. Além dos benefícios sócio-econômicos e ambientais, um dos ganhos mais expressivos será a diminuição do tempo médio de viagem em 25%. Para se ter uma idéia, o passageiro que utiliza na ida e na volta o trecho entre Grajaú e Sé, ganhará mais de duas horas, diariamente, para poder desfrutar com a família, lazer, estudos ou apenas descansar.

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