Negros
Estrada de ferro
A contribuição do negro para o crescimento da economia paulista também se faz presente na construção das estradas de ferro que transportavam o café entre outros produtos para o Porto de Santos. "Por onde a ferrovia passou, você tinha uma pequena classe média negra. Este trabalho, que era permanente, permitia ao negro ter um salário mediano fixo, relembra o professor da USP, Hélio Santos.
Era um serviço para qual o negro estava apto, exigia pouca escolaridade e muita força para escavar a terra e implantar os trilhos. Este serviço fixo e rentável permitia ao negro ter sua casa própria e morar em bairros medianos', afirma.
As famílias negras, cujos pais ou avôs trabalharam como foguista e maquinista, apresentaram mobilidade social: o filho foi ser professor, bancário, outros conseguiram ser advogados, médicos o que ajudou a família a não se desestruturar.
Como ex-presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, Hélio Santos percorreu várias cidades do Interior paulista, como Araraquara, Ribeirão Preto e Campinas, para constatar a marca do trabalho negro e conhecer de perto a história de tantas famílias negras anônimas, cujos rostos e mãos fincados pelo tempo ajudaram a construir o País.
Para Hélio Santos, embora um terço da população do Estado seja constituída por 3,3 milhões de negros e pardos, a marca do povo negro ainda não está bem consolidada em espaços expressivos como clubes e bairros, como ocorrem com japoneses, libaneses, italianos, turcos, espanhóis. 'Mas ele está construindo São Paulo e no passado fez o alicerce. Você não tem nenhum prédio que não tenha sido construído por negro', aponta o economista.
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