Personagens

Tereza Harumi Hidaka Gerente do Banco Nossa Caixa S.A.

Tereza Harumi Hidaka

Pai: Takashi Hidaka - nascido em Miyazaki - Japão.

Mãe: Shizue Hidaka - nascida em Toyama - Japão.

"Tradições & Contradições

Desde pequena vivia a perguntar: Quem sou Eu?

Olhava-me no espelho e via uma pessoa diferente das outras crianças gaijin com quem convivia. Estudei no nihongako (escola japonesa) aprendendo a ler, escrever e entoar o hino nacional japonês antes mesmo do brasileiro. Cresci sob a rigorosa educação de uma família tradicional japonesa, oriunda de samurais, aprendendo o significado da honra, da disciplina, do respeito, da determinação; herdando o espírito guerreiro de um samurai e ao mesmo tempo a submissão da mulher japonesa.

Muitas vezes não sabia como me comportar: se estendia as mãos para um cumprimento ou curvava-me respeitosamente diante de alguém.

E, assim sobrevivi entre o contraste das duas culturas, um emaranhado de sentimentos contraditórios, buscando o equilíbrio entre o comportamento contido do oriental e a descontração do povo brasileiro. Aprendi a superar os preconceitos e amar esta pátria chamada Brasil.

Banzai!"

Hisako Gondo Higashi Diretora da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Instituto Butantan (hoje Bioindustrial)

Hisako Gondo Higashi

Filha de imigrantes japoneses de Gondo Tadao nascido em Fukuoka-ken que veio para o Brasil em 1912 no vapor Itsukushima-Mam com 17 anos, do Porto de Santos foram levados para uma Fazenda próximo de Ribeirão Preto para trabalhar na plantação de arroz e depois na plantação de café em Lins no interior paulista, onde com o fruto de seu trabalho adquiriu 15 alqueires iniciando sua vida independente neste país, onde morou até 1947. Casou-se em 1923 com a Senhora Kumano também nascida em Fukuoka-ken que veio para o Brasil no Teikoku-Man em 1914. Esse casal de imigrante não mediu esforços para enviar seus filhos à escola e com isso conseguiu formar 7 filhos de um total de 9 filhos, 3 Farmacêuticos-bioquímicos, 3 Professores e um Engenheiro Naval. Em 1949 estabeleceu em São Paulo e faleceram em 1969 (pai) e em 1992 (mãe).

Farmacêutica graduada UNESP com especialização em microbiologia e imunologia pela Universidade de São Paulo. Durante toda a jornada empreendida no Instituto Butantan no decorrer de minha carreira profissional, ocupei cargos diretivos, como Chefe de Seção, Diretora do Instituto Butantan e Diretora da Divisão Bioindustrial.

André Sato Assessor de Comunicação da Secretaria de Relações Institucionais

André Sato

Meus avós vieram para o Brasil em 1930, meu avô Tadarrito veio da Província de Yamagata-Ken, região Tohoku, Ilha Honshu, enquanto que minha avó Shizuko, de Sapporo, Hokkaido. Coincidentemente, desembarcaram no mesmo dia, nove de dezembro, ainda crianças, moraram em Belém, cidade onde se conheceram.

Após casarem, mudaram-se para Tomé-açu – ainda no Pará – onde trabalharam com o cultivo de pimenta-do-reino. Em São Paulo, inicialmente moraram em Marília, depois Pompéia e São José dos Campos, onde residem.

Quando eu tinha dez anos de idade, minha mãe comentou com meu pai: - O André precisa praticar algum esporte! Até hoje agradeço a minha mãe por ter me inscrito no judô, pois foi algo extremamente importante na formação do meu caráter e uma maneira de preservar a cultura nipônica.

Meu pai é uma miscigenação entre branco, índio e negro. Minha mãe filha de japoneses.

Acredito que este “mix de gente” é um diferencial do brasileiro frente a outros povos. Faz com que, naturalmente, tenhamos disciplina, garra e ginga!

Clarice Aico Muramoto Gerente do Setor de Meteorologia da CETESB

Clarice Aico Muramoto

Descedência: filha de japoneses: mãe, Adelia Miseko, originária da Província de Hokkaido e pai, Kuniyoshi, originário da Província de Kumamoto.

Meu pai chegou ao Brasil em 1931 e minha mãe, em 1936, quando tinham seis e cinco anos de idade, respectivamente. Aqui chegando, trabalharam em fazendas de café no interior do Estado de São Paulo, fixando-se na cidade de Pompéia, onde nasci, e ali ficaram até 1968, quando viemos para São Paulo.

Em 2007, vivi momentos memoráveis e inesquecíveis ao acompanhar meus pais em sua primeira visita ao Japão, depois de 70 anos. Meu pai dizia a todos que ele era o “Urashimataro-san”, um personagem de conto infantil japonês que retorna à terra natal após muitos anos, levado por uma tartaruga. Em visita à terra natal, junto a uma comitiva brasileira da associação de pessoas originárias da Província de Kumamoto, fomos recebidos pela Governadora da Província e pela comunidade local, quando comemoramos os 100 anos da Imigração ao Brasil em 2008. Na mesma ocasião houve a inauguração da estátua do primeiro imigrante japonês desta província, que veio ao Brasil no navio Kasato-Maru.

Minha mãe retornou ao Japão para encontrar suas irmãs que moram lá, sendo que sua irmã mais velha havia sido deixada no Japão há 70 anos, por ter contraído tracoma e proibida de embarcar dias antes da vinda ao Brasil. O reencontro das irmãs foi repleto de emoções, e foi registrado pela jornalista da Revista Veja, que publicou a reportagem “Imigração Japonesa - 100 Anos Depois”, em dezembro de 2007, onde, além do relato do reencontro, é também contada a história da minha tia Mitsue que, após ter sido deixada com parentes no Japão, só após 40 anos localizou e retomou contato com a família aqui no Brasil.

Parece até novela, mas essa é a história real da minha família.

Janice Okugi Pesquisadora Científica, do Laboratório de Bioquímica, do Instituto Butantan

Janice Onuki

Idade: 34 anos.

Descedência: neta de japoneses.

Províncias: Ibaraki e Okinawa.

"Hideo, meu avô paterno, já trazia no sobrenome, ONUKI, a força para ultrapassar grandes obstáculos. Japonês sensato, equilibrado, andava mais rápido que o relógio. De bicicleta, ia e vinha pelas ruas de Penápolis, interior de SP. Cultivou café e plantou jabuticabeiras onde os netos brincavam de “casinha” e balanço. Casado com Khii Wada, ou D.ª Amélia, que com um lencinho branco na cabeça, cruzava a cidade vendendo verduras. Mulher de verdade, criou 6 filhos, apostava corrida com os netos, ensinava-os a medir os ovos no galinheiro; fazia pãezinhos no forno à lenha, inigualáveis. Shotoku Oshiro veio de Okinawa, japonês com estômago de brasileiro. Comprava guaraná e doce de abóbora para os netos. Vendia abacaxi, adorava luta livre e detestava o Jânio Quadros. Reunia a família para apreciar seus pratos prediletos: macarronada, feijoada e rabada! Casou-se com D.ª Thereza, filha de Nabi e Taro Matsuda, o primeiro imigrante da família que veio no Kasato Maru. “Batchan” Thereza, já nem tem mais nome nem sotaque japonês; sempre antenada com tudo que acontece, furou a orelha aos 85 anos e continua reunindo filhos, netos e bisnetos para almoços onde sushi e feijoada hoje convivem harmoniosamente."

Mario Simabukuro Filho Secretário de Escola nomeado Assistente Técnico de Direção I na Diretoria de Finanças da Sede

Mario Simabukuro Filho

Província: Okinawa.

"Fiquei muito contente em poder homenagear meus Bisavós e Avós, que vieram como imigrantes para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus descendentes. Como a grande maioria dos imigrantes, passaram por grandes dificuldades e, graças ao espírito de luta, união e vontade de vencer conseguiram criar seus filhos, netos e bisnetos. Meus pais vieram de cidades do interior de São Paulo. Meu pai veio de Presidente Prudente e minha mãe de Fernandópolis. Sou formado em Administração de Empresas e técnico em Contabilidade e participo em varias entidades Nipo-Brasileiras ajudando a Comunidade, entre elas a JCI Brasil Japão que desenvolve pessoas para atuarem na sociedade de forma a provocar mudanças positivas na sociedade seja nas áreas Comunitária, Internacional, Individual e Negócios (Para saber mais, acesse www.jci-brjp.org.br). Hoje as entidades jovens, além de formar pessoas para a sociedade, têm como missão a preservação da cultura e desenvolvimento de seus membros através de atividades Assistenciais, Cultural e Esportiva.

Gostaria de falar um pouco da Província de meus antepassados, Okinawa, que é a província mais a sul do Japão. Consiste em 169 ilhas que formam o arquipélago Ryukyu, numa cadeia de ilhas de 1000 km de comprimento, que se estende de sudoeste, de Kyushu até Taiwan, ainda que as ilhas mais a norte façam parte da província de Kagoshima. A capital de Okinawa, Naha, está localizada na parte meridional da maior e mais povoada ilha do arquipélago: Okinawa Honto. As disputadas ilhas Senkaku são, em teoria, administradas como parte da província. Algo interessante é que Okinawa fazia parte de um reino independente, o reino Ryukyu. Por isso Okinawa desenvolveu uma cultura própria, e parte de sua história significativamente diferenciada do resto do Japão. "Terra da cortesia", título recebido de antigo imperador chinês, seu povo preserva, ainda hoje, a mesma hospitalidade e "calor humano" de seus antepassados."

Adélia H. Nagamori Kawamoto Pesquisadora científica

Adélia H. Nagamori Kawamoto

Descedência: filha de japoneses.

Província: Koti e Kumamoto.

"Meu pai, Motoyuki Nagamori (1918-1992), era natural de Koti-ken. Ele, aos 12 anos de idade e em companhia do tio Sannomya, e minha mãe, Misae Takamori (1922-1988) natural de Kumamoto, aos 7 anos de idade, em companhia dos pais e três irmãos, chegaram ao Brasil em 1930. Desembarcaram em Santos, enfrentaram dificuldades para chegar à fazenda São Domingos, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, devido às tropas de soldados sediados na cidade de São Paulo durante a revolução. Ambos trabalharam duramente nos cafezais durante alguns anos e posteriormente no cultivo de algodão. Em 1945, meus pais se casaram tiveram três filhos: Eu, Katsue (agrônomo) e Iochinobu (Biomédico – Dentista). Em 1990 meu pai teve a oportunidade de rever seus familiares do Japão quando esteve lá por dois meses. Em 1996 participei do Congresso Internacional em Nagassaki e tive o orgulho de representar o Brasil. Os 100 anos da imigração dos japoneses no Brasil resultaram na integração de culturas oriental e ocidental. Tenho orgulho de fazer parte dessa história como pesquisadora do Instituto Butantan do Laboratório de Virologia."

Mickie Takagi Pesquisadora Científica, do Centro de Biotecnologia, do Instituto Butantan

Mickie Takagi

Descedência: filha.

"Neste pequeno texto eu gostaria de homenagear meus pais: Sr. Hideo Takagi (in memorian) e a Sra. Haruko Takagi.

Eles vieram com suas famílias, ainda muito jovens, e assim como muitos dos japoneses na época da segunda Guerra, resolveram deixar sua Pátria em busca de sobrevivência. O primeiro passo foi atravessar o oceano de navio, cuja viagem durou cerca de um mês. Chegando à terra firme o próximo passo foi tentar se adaptar em uma terra completamente desconhecida para uma nova vida e quem sabe um novo futuro. Um país em que tudo era diferente, pessoas, cultura, comida, idiomas, etc. Por muitos anos eles trabalharam como empreiteiros, e viviam como ciganos mudando de um serviço a outro, de uma cidade a outra em busca de melhores condições.

A comida era restrita, mas nunca faltava. Tudo era dividido igualmente entre todos da família. As roupas que usávamos eram costuradas pela minha mãe. Muitas vezes, ela usava sacos de milhos e de farelos como tecidos. Somente uma vez ao ano tínhamos roupa nova, no Ano Novo.

Mesmo com toda a dificuldade de meus pais, sempre pudemos ir a escola, coisa que eles faziam questão. Desde pequenos, eu e meus irmãos tivemos uma educação voltada à filosofia oriental e pudemos conhecer e admirar o Japão através dos relatos dos nossos pais.

Com o passar dos anos, pouco a pouco meu pai começou a ter seu próprio negocio. Primeiro com plantação de verduras, depois mudou para uma plantação de rosas e por ultimo, cultivo de plantas, legado esse que meu irmão mantém até os dias de hoje.

A trajetória de vida dos meus pais é uma grande lição. Uma lição de força e coragem, misturada com dignidade, honestidade e paciência. Uma lição de respeito ao Brasil, terra que os acolheu, abraçando-os como se fosse uma segunda pátria. Uma lição de vida que carrego comigo todos os dias.

Aida Sanae Sato Assistente Técnico de Pesquisa Científica e Tecnológica - Instituto Florestal

Aida Sanae Sato

Descedência: Neta de Imigrantes.

Províncias: Niigata-Ken, Gifu-Ken, Kagawa-Ken.

"Meu saudoso Ditian chegou ao Brasil em 1925, aos 15 anos de idade e, durante 13 anos, percorreu várias fazendas (a maioria situadas na antiga linha férrea São Paulo - Goiás) trabalhando como colono, e em uma delas casou-se com a Batian em 1930. Em 1933 estabeleceram-se na região de Presidente Prudente, onde conseguiram comprar suas próprias terras. Nasci e cresci neste sítio, onde meus pais continuam até hoje se dedicando à agricultura. Tive uma educação rígida, disciplinada, e desde cedo ajudava nos trabalhos da roça. Apesar da difícil situação financeira, meus pais "lutaram" para me dar a oportunidade de seguir nos estudos e cursar a faculdade. Em 1989 ingressei no curso de Engenharia Florestal na UNESP e após a conclusão da graduação passei no concurso do Instituto Florestal em 1994. Atuo em pesquisa na área de Melhoramento e Conservação Genética Florestal. Em 2000, solicitei afastamento e fui trabalhar como dekassegui na montagem de eletrônicos. Embora no Japão a jornada de trabalho seja exaustiva, a boa remuneração faz com que muitos não retornem ao Brasil (semelhante ao que aconteceu no passado com muitos imigrantes aqui no Brasil). Mesmo não tendo oportunidade e tempo para conhecer bem a "Terra do Sol Nascente", foi uma experiência muito gratificante. Atualmente os imigrantes da família já não estão mais presentes, mas me deixaram a grande lição de respeito, disciplina, força e perseverança para lutar e conquistar os ideais."

Ana Massumi Oyama Professora e Assistente na Coordenação do Sistema de Cadastro de Escolas / CIE / SEE

Ana Massumi Oyama

Descedência: Filha de japoneses.

Províncias: Fukushima.

"Meus pais chegaram no porto de Santos em 1955 de onde foram para o trabalho nos cafezais da região de Adamantina no interior paulista. Após dois anos, numa casa de colono nasci aos cuidados de uma parteira, sendo registrada no município de Flórida Paulista e batizada em Itu. procura de ascenção econômica , várias foram as cidades que residi e por esse fato, meus irmãos são naturais de cada uma dessas cidades: Ourinhos, Pacaembu e Guararapes.Moro em São Paulo desde 72 e tenho dois filhos.Formei em matemática , lecionei por 9 anos na rede privada , ingressando na rede estadual em 82. Na greve de professores que participei em 87, naquele abraço em torno do prédio da secretaria teria dito ao vento o meu desejo de trabalhar nesse local.Desejo realizado: monitora de matemática na delegacia de ensino e divisão regional, membro de equipe técnica de demanda na COGSP e várias ocupações no CIE – Centro de Informações Educacionais da SEE desde 92.É de imensa admiração e gratidão às pessoas, aliás grandes batalhadoras da educação, que me apoiaram acreditando no meu trabalho: profª Sanae e profª Akiko Oyafuso, as “gaijins” Georgina Abdala, Maria Cândida , Lúcia Mandel e Maria Nícia Pestana e Castro."

Hideyo Aoki Chefe de Seção da Floresta de Avaré - Instituto Florestal/Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

Hideyo Aoki

Descedência: Nissei, Filho de japonês.

Províncias: Wakayama-ken

"Meus pais vieram ao Brasil com seis filhos (três homens e três mulheres). Aqui, nasceram mais três filhos, sendo dois homens e uma mulher. Inicialmente trabalharam na lavoura de café na Alta Mogiana e depois adquiriram um sítio no município de Cel Macedo. Na casa o idioma era o japonês. A colônia era muito unida e se reunia nos finais de semana no kai-kan, onde se praticava baseball. Uma vez por ano tinha o Undokai. Caçula de nove irmãos tive o privilégio de me formar em Agronomia na Esalq-USP. Através da JICA - Japan International Cooperation Agency estagiei na área de sensoriamento remoto florestal durante quatro meses no Japão. Pesquisador Científico do Instituto Florestal desde 1974, considero que a minha maior contribuição tenha sido a criação da Estação Ecológica de Paranapanema. Fiz mestrado no INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em S.J. Campos e doutorado na UFPR - Universidade Federal do Paraná (porém, sem defender o título). Na juventude joguei futebol (fui cinco anos titular do time da Esalq)e depois do retorno do Japão comecei a jogar tênis, chegando à 3ª classe. Atualmente, sou fanático do golfe. Da infância me lembro vagamente do trágico acontecimento da Shindo Renmei ocorrido em 1946."

Silvio Kazushi Sano Técnico lotado na SPO/ CENP/ Secretaria da Educação (Programa Viva Japão)

Silvio Kazushi Sano

Descedência: nissei, filho de Tsuneshi Sano, da Província de Mie (JP) e vindo ao Brasil em 1918, aos 7 anos; e de Fussako Ogura Sano, da Província de Hokkaido (JP) que chegou ao Brasil em 1932, aos 14 anos.

"Nasci em Fernandópolis (SP), para onde a família de meus pais tinha migrado vindo de Onda Verde (SP), onde passaram, pela primeira vez, seus primeiros momentos menos tensos no Brasil. Antes, porém, como a maioria de seus consangüíneos imigrantes, passaram por uma série de adversidades. O caso deles foi também dos mais terríveis, pois o meu avô paterno faleceu quatro anos após ter pisado em solo brasileiro e deixando 6 pequenos órfãos (o meu pai, primogênito, tinha apenas 11 anos) aos cuidados de minha avó e do irmão mais novo de meu avô, de 19 anos, que os acompanhara para cumprir a exigência das Leis de Imigração da época sobre “3 mãos produtivas” (mínimo de 12 anos de idade). Sem contar que, por duas vezes, chegaram a perder tudo o que tinham quando suas casas pegaram fogo. Mas, foram superando os obstáculos e no conceito família japonesa em relação à Educação, o meu pai, até conseguiu que todos seus sete filhos chegassem à faculdade. Mas gostaria de, dentro do escopo deste link “Personagens”, dividir com os leitores o ponto que achei marcante na história de minha família, pela forma peculiar como o meu pai batizou o seu segundo filho (sou o sexto), que nasceu em plena Guerra Mundial: “Brasílio Hitomu”. O nome “japonês” não é japonês !! Foi formado pela composição das iniciais dos principais líderes dos países do Eixo (HI de Hitler, TO de Tojo e MU de Mussolini). Como estava em plena guerra, o meu pai que não era bobo, penso eu, acrescentou o nome brasileiro, lógico... para fazer a média (rs).

Sou também o autor do livro 'Sonhos Que De Cá Segui', um romance ficção que aborda a problemática dos 'dekasseguis', trabalhadores nipo-brasileiros no Japão; e, bem como, da versão em português (Pra Voltar a Ser Feliz), de uma canção em homenagem ao centenário (Ayumi Tsuzuketa 100nen), da cantora japonesa Mariko Nakahira e cantada atualmente pelo cantor Nobuhiro Hirata, campeão brasileiro da canção japonesa em 2007."

Pra Voltar a Ser Feliz (Ayumi tsuzuketa 100 nen)

Sílvio Sano

Um sino tocou, a sorte anunciou
Uma porta se abriu, com destino: Brasil
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz
O difícil foi decidir, pra viver... ou sobreviver
Separar-se do Japão, foi há 100 anos atrás.

E o tempo passou, desde que aqui chegou
No começo aprendiz, depois criou raiz
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz
Tudo, tudo que aprendeu, de seus pais, na terra natal
Adotou-o aqui, como regra, desde 100 anos atrás.

Apesar da opção, não se esquece do Japão
Mas, aqui fez novo lar, para a vida retomar
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz
Cada fardo que carregou em sorriso o transformou
Como exemplo para todos, mesmo 100 anos depois

Hélio Shimada Geólogo, D.Sc., Pesquisador Científico, Chefe da Seção de Geologia Econômica e Prospecção do Instituto Geológico – SMA

Hélio Shimada

Descedência: Filho de Japoneses

Províncias: Aichi e Hiroshima.

"Meu pai, Hideaki Shimada (1911-1965), era natural da cidade de Ichinomiya e veio para o Brasil em 1921, aos 10 anos de idade. Minha mãe, Yasuko Shimada (1920-2008), era de Hiroshima e veio em 1936, aos 15 anos de idade. Ambos trabalharam duramente nos cafezais durante alguns anos. A família de meu pai foi inicialmente para Jacarezinho, no Paraná, passando depois por Ourinhos, Chavantes e Álvares Machado, antes de mudar-se para a Capital, no início dos anos 40. A família de minha mãe foi inicialmente para Guarantã e posteriormente para Inúbia Paulista, Lucélia e Itapeva. Minha mãe mudou-se para Capital na segunda metade dos anos 40, onde se casou com meu pai em 1947. Tiveram três filhos: Hélio, Ana e Diná. Esta era médica, e faleceu em 2004. Ana é fisioterapeuta e mora em Curitiba. Em 1994, fiz o caminho de volta, visitando o Japão. Foi uma emoção enorme conhecer minhas raízes, e senti o fato de meu pai ter morrido sem rever a terra natal. Os 100 anos da imigração representam o sucesso da saga dos japoneses no Brasil, com a perfeita integração entre as culturas.".

Silas Ogasawara Garcia Estagiário na Assessoria Especial para Assuntos Internacionais

Silas Ogasawara Garcia

Avô: Yoshitaro Ogasawara, nascido em Handa, Japão.

Avó: Kiyo Ogasawara, nascida em Nishio, Japão.

"Sou neto de imigrantes japoneses oriundos da Província de Aichi (Aichiken) que ao chegarem no Brasil (ano de 1933) passaram por algumas cidades do Estado de São Paulo até se fixarem na cidade de Osvaldo Cruz na região do Oeste Paulista, esta na qual nasci. Toda a minha região sempre teve uma forte presença de imigrantes e nipo-descendentes, tendo eles forte expressão na promoção de variados eventos. Em Osvaldo Cruz a comunidade nipo-brasileira sempre teve grande participação social e junto da ADOC (Associação Desportiva de Osvaldo Cruz) promovia a Undokai, um tipo de gincana esportiva para crianças, adolescentes e jovens. Sempre participei das Undokais e um fator relevante era que, não só promovendo a prática de esportes e exercícios físicos, ao final das etapas da gincana os participantes ganhavam, como prêmio, materiais escolares, favorecendo o empenho escolar juvenil da cidade. Muitos eram os beneficiados destes eventos e hoje me alegro em lembrar dos tempos de Undokai".

Oscar Yoshikatsu Kanno Idade: 49 anos. Assistente Agropecuário VI

Oscar Yoshikatsu Kanno

Descendência: Sansei

Província: Fukushima - ken

"Ambos os avós imigraram para o Brasil no ano de 1934 provenientes do Japão. A família paterna desde remotas épocas dedicou - se a agricultura com o plantio de arroz. A família materna descende de samurais.

No Brasil a família paterna foi encaminhada para a região de Pereira Barreto, após Duartina, Lucélia sempre trabalhando no cultivo de algodão e em 1950 fixaram residência na área rural de Irapuru, onde se dedicam até hoje ao cultivo de café. A família materna seguiu para a região de Ourinhos trabalhando com a cultura de algodão e tomate, posteriormente transferiram - se para Lucélia com o plantio de hortaliças e algodão, Tinguá - RJ com o cultivo de hortaliças, fixando residência na cidade do Rio de Janeiro em 1969; o que possibilitou minha graduação no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, continuando a tradição familiar na área da agricultura".

Hiroyuki Hino Professor e Coordenador Geral do "Programa Viva Japão" da Secretaria de Estado da Educação.

Hiroyuki Hino

Descendência: : Natural da Província de Fukuoka; brasileiro naturalizado.

"Nasci exatamente um ano após o término da 2ª Guerra Mundial, em agosto de 1946, na Província de Fukuoka, filho de mãe professora e pai militar. Aos 10 anos, quando cursava a 4ª série, meu pai resolveu emigrar para o Brasil, para onde o meu avô materno já havia emigrado cerca de 30 anos antes. O navio 'Brazil Maru' , que transportou nossa família para o Brasil, partiu do porto de Kobe, no Japão, em dezembro de 1956. Atravessou os Oceanos Pacífico e Atlântico e, depois de 45 dias, aportou no porto de Santos, em janeiro de 1957. No Brasil, minha adaptação aos novos costumes e língua foi relativamente rápida, graças à amizade que fiz com filhos de colonos brasileiros da fazenda do meu avô. A escola daqui era muito diferente e a aprendizagem da gramática portuguesa foi a minha maior dificuldade. No início, estranhei a comida, principalmente o arroz com feijão, a farinha de mandioca; e demorei bastante para me adaptar com o mamão e a manga. Concluí o Ensino Básico e o Curso Superior em escolas estaduais. Lecionei Química na rede de ensino do estado de São Paulo durante sete anos e, em 1979, comecei a trabalhar na Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - CENP, onde estou há 28 anos. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, no ano passado, em iniciativa inédita, lançou o 'Programa Viva Japão', como uma forma de também poder homenagear o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, principalmente o deste estado, e incumbindo a mim a coordenação do mesmo. Para mim, o fato de poder coordenar esse Programa é muito significativo porque, no meu caso, estarei comemorando o cinqüentenário de minha imigração neste País. "

Henrique Shiguemi Presidente do Conselho do Patrimonio Imobiliário do Estado

Henrique Shiguemi Nakagaki

Pai: Ahito Nakagaki, nascido em Fukuoka, Japão. Veio ao Brasil em 1928, com 12 anos de idade.

Mãe: Alice Utino Nakagaki, nascida em Lençois Paulista, SP, em 1919.

"Minha mãe morreu com 28 anos de idade. Meu pai casou-se novamente e a família Nakagaki compõe-se de 9 filhos. Nasci na cidade de Álvares Machado, SP. Morei no sítio em Lagoa Seca, em Presidente Bernardes, SP, até os 10 anos de idade e passei a minha juventude em Santo Anastácio, no interior de SP. Em 1967 mudei-me para São Paulo, onde conclui o curso de Administração de Empresas e Ciências Contábeis pela FEA-USP. Conheci o Japão em 1988, quando participei de um curso na área tributária em Tóquio-Japão, patrocinado pela JICA. O que mais impressionou foi a beleza do país e o fato de que lá a tradição milenar convive com os avanços tecnológicos Achei o Japão moderno, organizado, limpo e pude ver como tratam com seriedade a administração pública.Durante minha estada lá, também aproveitei para visitar parentes e contar como vivemos aqui"