Serra discursa no lançamento do programa Quero Vida

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Nós estamos aqui hoje para duas medidas extremamente importantes. Eu estou concentrado, de maneira intensa, no meu trabalho aqui em São Paulo. Não é fácil escapar do bate-boca pré-eleitoral. Mas eu não entrarei nisso porque tenho que aproveitar este tempo – […]

qua, 20/01/2010 - 20h36 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Nós estamos aqui hoje para duas medidas extremamente importantes. Eu estou concentrado, de maneira intensa, no meu trabalho aqui em São Paulo. Não é fácil escapar do bate-boca pré-eleitoral. Mas eu não entrarei nisso porque tenho que aproveitar este tempo – inclusive este começo de ano, em que aparentemente as coisas são mais folgadas para exercer como nunca a tarefa que a população de São Paulo me delegou já no primeiro turno da eleição passada. Para nós, jovem e idoso são prioridades.

Nós temos, aqui em São Paulo, o Programa Ação Jovem, que reúne 90 mil jovens com uma bolsa cuja contrapartida é a freqüência na escola. Não foi um programa que eu comecei, mas é um programa que nós estabilizamos, que nós consolidamos. E boa parte destes jovens que estão no programa vão ser beneficiados pelo protocolo de hoje com o SESC (Serviço Social do Comércio). Ele complementa um conjunto de outras ações que nós temos desenvolvido na área da Educação Técnica para nossa juventude. Aqui, a possibilidade que este convênio abre é de nós termos capacitação técnica para o trabalho, para os jovens, em 42 Municípios. E, olha, hoje eu estava vendo estatísticas a respeito do nosso País.

O desemprego entre os jovens de 16 a 20 anos, em termos percentuais, triplicou de 1987 a 2007. Em 20 anos, triplicou o desemprego. É altíssimo, é da ordem de 20% hoje em dia. Passou de 7% para 20%, praticamente triplicando. O desemprego de jovens de 21 a 29 anos passou de 5% para 11% nesse período. Esse é um grande desafio. Isso está ligado, evidentemente, ao dinamismo da economia, que na média tem sido muito pouco, desde o começo dos anos (19)80 até hoje, apesar de tudo o que se fala.

Agora, mas de fato tem uma outra questão, atualmente. Eu estava vendo outro dia: na área da Tecnologia da Informação tem 30 mil postos de trabalho oferecidos, que não são aproveitados porque não tem gente com qualificação. Por isso, a gente tem feito um esforço muito grande. A formação técnica, ela permite não só ocupar cargos e empregos que hoje não podem ser preenchidos, como também o trabalho por conta própria. Por isso, nós estamos fazendo uma expansão como nunca houve no Ensino Técnico em São Paulo, aquele de 3 semestres, que é para a garotada que está no Ensino Médio, na idade do Ensino Médio. Nós encontramos 70 e pouco mil alunos, vamos deixar mais de 170 mil no Estado de São Paulo.

Quero dizer, inclusive, que esta região aqui de Campinas, ela está à frente nessa expansão. Nós aqui temos 30 Escolas Técnicas (ETECs), e mais 7 Faculdades de Tecnologias (FATECs), que são faculdades de 3 anos, que formam tecnólogos de nível superior. De cada 10 que forma, 9 conseguem emprego logo, em menos de um ano. Nas ETECs, de cada 5 que se formam, 4 conseguem emprego. E, mais ainda: nós, aqui, no final deste Governo, teremos aberto 10 novas ETECs, ou seja, não apenas é quem tem mais, mas é quem está levando mais, inclusive em termos de novas unidades. E mais 3 Faculdades de Tecnologia.

Portanto, estamos muito sintonizados com as necessidades de desenvolvimento da região de Campinas e da oportunidade de emprego para os jovens. Este programa que a Rita Passos (secretária de Assistência e Desenvolvimento do Estado) organizou com o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) vai ser uma complementação a mais desse trabalho, como a Secretaria da Educação também está fazendo, desenvolvendo convênios. Ou seja, não nos detemos nas ETECs e nas FATECs, administradas pelo Centro Paula Souza, que é do Governo, mas também em outras formas múltiplas, que envolvem as Prefeituras, que envolvem entidades do Sistema S, que envolvem, inclusive, o próprio Centro Paula Souza. Eu queria cumprimentar a secretária pela iniciativa e agradecer as entidades empresarias que vão cooperar nesse programa, conjuntamente com as Prefeituras. Isso para nós vai no coração daquele que é o nosso programa de Governo.

Mas hoje também damos impulso a um novo programa, o “Quero Vida”, voltado aos idosos. Não é pouco o que a gente já tomou em matéria de iniciativa para os idosos. Basta lembrar os CRIs, Centros de Referencia do Idoso, que funcionam na Zona Leste e na Zona Norte da Capital. Tem uma escala de atendimento muito alta, de todos os tipos, na área da Saúde, na área do lazer… A Vila Dignidade, que estamos começando na área da habitação, e que depende muito da cooperação das Prefeituras – onde a gente faz conjunto habitacional para os idosos. Inclusive não tem a propriedade, eles vão morar lá até o final das suas vidas, em um lugar concentrado, que permite convivência social, um atendimento médico mais fácil. 

Estamos nas primeiras Vilas Dignidade, experimentalmente, para ver como é que funciona, para poder alastrar esse programa para o Estado inteiro. Mas o prefeito que tiver idéia a esse respeito, que tiver o terreno, pode procurar o Lair Krähenbühl (secretário de Estado da Habitação) que nós estamos dispostos a tocar. Também fazemos muitos investimentos na área de trens, metrô, CPTM, para facilitar o acesso dos idosos; jogos regionais do idoso, promovidos pela Monica Serra (presidente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo), com várias parcerias; oficinas geriátricas de artes, de idiomas, inglês, de teatro – enfim, para que os idosos possam, não só passar umas horas não, é também continuar se desenvolvendo, ter uma convivência bastante saudável.

E agora, com este programa “Quero Vida”, que envolve também 42 Municípios, a idéia é construir unidades de atendimento do idoso para até 50 idosos cada uma. É um convênio que implica, da parte do Governo do Estado, transferir às Prefeituras, com o teto de 300 mil reais, 12,3 milhões de reais para esse trabalho. Portanto, isso será um avanço. É um programa que vai pegar. Isso vai funcionar – e no futuro nós vamos ter consciência de que hoje foi um dia muito importante, quando este programa foi lançado. Mas, na questão de idoso tem até coisas surpreendentes. Por exemplo, o programa Viva Leite, que é um programa extraordinário, atende umas 700, 800 mil pessoas em São Paulo. Vocês sabem quantos são os idosos atendidos pelo Viva Leite? 84 mil são atendidos pelo Viva Leite.

Aqui estamos, então, nesse trabalho que envolve a juventude, envolve idoso – as duas pontas. E são as duas pontas mais frágeis da sociedade. Uns, porque estão começando; os outros, eu não diria que estão terminando, porque estão no auge da sua maturidade, mas já não têm a mesma energia física que tinham antes.

Mas eu fiquei pensando: vou chegar lá, vou dizer o que nós estamos fazendo na região – e aí desisti. Porque eu tenho um relatório que sempre me entregam, que eu leio no helicóptero – e, se eu fosse falar aqui, ia morrer todo mundo de tédio. Olha aqui, é verdade. São 6 páginas de lista de coisas, não dá para falar. Nem a imprensa teria interesse, porque a imprensa não tem interesse nas páginas do que foi feito, mas naquilo que não foi feito, nos problemas que existem. E a imprensa… o pior de tudo é que está certa, aquilo que está feito está feito, já está, como diria em inglês, take for garanted, já toma por garantido. O problema é o que ainda precisa ser feito.

Outro dia eu fui a uma cidade lá da região de (Presidente) Prudente, inaugurar a ampliação de uma ETEC. Nós duplicamos o número de vagas – e fui com um deputado (estadual) amigo nosso, o Mauro Bragato, e estava lá o prefeito, etc. e tal. O discurso do Mauro Bragato não mencionou a ETEC. Ele mencionou a FATEC, que não existe. E querem uma FATEC, porque antigamente em São Paulo, cidade do interior que não tinha UNESP (Universidade Estadual Paulista), cidade média se sentia marginalizada. Então o pedido era campus da UNESP. Quem tinha UNESP pedia ampliação para o campus da UNESP. Mas ampliar para quê? Não sei… é importante porque tal cidade tem. Agora, quem não tem ETEC pede ETEC, mas o que o pessoal pede mesmo é FATEC. Nós fizemos, como diriam alguns outros políticos que sabem fazer mais marketing, tantas FATECs quanto as que foram feitas em toda a história de São Paulo. Ou seja, pegamos 26, e vamos entregar 52. Já tem 49, 50. Agora, não dá para fazer uma em cada Município de São Paulo. Tem 300 pedidos, é virtualmente impossível.

Mas toda cerimônia girou em torno da FATEC que não tinha. E, evidentemente, a imprensa só perguntou da FATEC que não tinha. Eu tenho certeza que no dia seguinte disseram: “Serra diz não à FATEC”. Embora eu nem tivesse dito não. Dei aquela resposta tradicional: vamos olhar com muito interesse, vou encaminhar para o secretário, etc. Bem, é o Mauro Bragato, gente nossa, gente firme… estava lá na maior simplicidade.

Eu queria aproveitar para me referir a algumas coisas aqui da região. Eu sei que tem uma cratera na SP 342, que vem aqui para Vinhedo, uma cratera feia, que abriu em dezembro e teve que fazer um projeto para poder consertar. O projeto fica pronto nesta semana, e a gente colocará mãos à obra logo em seguida. A recuperação da Estrada Velha de Campinas vem em pleno andamento. Um problema aqui, outro problema acolá, mas está andando firme – não parou em nenhum momento, e nós esperamos concluir essa recuperação neste ano, porque é uma estrada importante.

Pró-Vicinais: esta é a região que tem mais volume de estradas no Pró-Vicinais, 1.216 quilômetros. São 380 milhões de reais. Transformamos as vicinais existentes, em geral em mal estado, em novas. Novas até porque a gente gasta por quilômetro metade do que custa uma vicinal nova. E mais ainda: algumas delas, deve ser uns 200 quilômetros, perto de concessões novas de estradas, vão ser mantidas pelas concessionárias, tirando o ônus do Município e do Estado, que sempre acaba socorrendo o Município.

Os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs)… nós já temos 3 funcionando aqui na região. Eu não me lembro… acho que é Piracicaba, Rio Claro e Santa Bárbara (do Oeste). Mas a nossa programação aqui é ter 8, inclusive 2 em Campinas. Mas isto está dependendo das Prefeituras. O Ambulatório Médico de Especialidades é uma unidade de saúde que tem 20, 25 especialidades médicas. Faz 15 mil, 20 mil consultas/mês, mais de 30 mil exames laboratoriais de imagem, é uma coisa espetacular. Todo mundo que conhece sabe disso. É espetacular. Mas a gente faz parceria com as Prefeituras. Não na manutenção – o AME custa o dobro para manter do que custa para construir, para vocês terem uma idéia de como é a Saúde. Mas a gente tem uma colaboração das Prefeituras, e nem sempre as Prefeituras andam depressa, até porque têm os seus problemas. Portanto, nós dependemos das Prefeituras.

E, na verdade, cada AME é uma obra regional. A Prefeitura, a Secretaria, a diretora de saúde do Município faz um agendamento e envia as pessoas para lá. É um atendimento de altíssima qualidade, que nós fazemos sempre, em parceria com a UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), com a UNESP, com as Santas Casas, enfim, com as entidades de Saúde já comprovadamente eficientes. Isso está mudando a cara do atendimento da Saúde aqui no Estado de São Paulo.

Enfim, são muitas coisas. Tem o Corredor Noroeste, tem a Rede (de Reabilitação) Lucy Montoro. Nós estamos construindo um hospital da Rede Lucy Montoro em Campinas, junto daquela instituição que cuida do câncer infantil, o Boldrini, no mesmo lugar. É uma unidade de reabilitação, essa rede de reabilitação extraordinária. Nós temos, em São Paulo, 10% da população com deficiência física, e que precisa ser atendida. As Prefeituras devem cuidar da acessibilidade, em um primeiro momento. Isso eu fiz na Prefeitura da Capital, criamos até uma Secretaria para isso. E criei uma no Estado, não só fazendo acessibilidade, como os investimentos que a gente está fazendo, por exemplo, no metrô, que são caríssimos. Porque numa obra original, quando está feita do início, planejada, a acessibilidade é de graça. Quando é para introduzir o que não tem, fazer um elevador no metrô, custa uma fortuna. Mas nós estamos fazendo isso.

Mas, enfatizando agora a reabilitação. Para isso criamos uma rede, a Rede Lucy Montoro, que vai ter mais de uma dúzia de hospitais, centros de referência em todo o Estado de São Paulo. Já tem um pronto, lá em Santo Amaro com o Morumbi. Não é porque nós fomos mais depressa na construção. É porque era um hospital que quebrou e fizemos um bom negócio na compra, já estava tudo pronto. Mas estamos construindo… eu lancei aqui a pedra fundamental, já faz um tempão, e estou esperando agora, em março, a inauguração. Mas nós vamos fazer em vários lugares, no interior, no litoral, no Vale do Paraíba, muito lugares, e a região de Campinas vai ter um e Vinhedo vai ter um próximo, que é aqui em Campinas – o que não vai eliminar o trabalho do Município nessa matéria. Se a Prefeitura é muito grande, não precisa criar uma Secretaria, cria uma Coordenadoria. Se também não cabe uma Coordenadoria, que tenha uma pessoa ligada à questão do deficiente físico – já é um avanço, porque é gente que não acaba mais, com muita capacidade de trabalho e que tem um problema, que é o deslocamento, que tem um problema que é a mobilidade, mobilidade essa na qual a fisioterapia tem um efeito imenso, a psicologia, a fisioterapia, o tratamento especializado…

Na verdade, a Rede Lucy Montoro vai ser uma usina de empregos na área da Saúde. Porque não é só o médico fisiatra não – ele é até minoria, ele orienta o trabalho, é evidente. Mas é a quantidade de outros profissionais de saúde que vão ter oportunidades de trabalho, e um trabalho solidário, um trabalho dedicado, inclusive com relação aos idosos.

E eu volto aqui ao nosso ponto de partida, porque vão ter uma experiência, ou vão ter um tipo de qualificação muito importante. Eu, aliás, outro dia pedia para a Laura Laganá, que é a diretora-superintendente do Centro Paula Souza, que organize cursos de atendimento de idosos. Quer dizer, um tipo de enfermagem. Por exemplo, nós inauguramos uma ETEC onde – isso foi antes de ontem, foi essa ETEC do Mauro Bragato – onde tinha um curso de técnico de enfermagem de um ano e meio. Bom, por que não fazer também um curso de um ano e meio de auxiliar de enfermagem, um técnico de enfermagem especializado no cuidado de idosos, com essa especialização? Quem teve esse problema na família sabe da importância que isso tem. Eu tive minha mãe, tenho minha tia. Na verdade, é uma pessoa que cuida da vida delas, é um trabalho crucial que exige uma dedicação imensa. Essa pessoa, particularmente, não tem nenhuma qualificação acadêmica, não estudou nunca, faz tudo empiricamente – e faz muito bem. Imagine se a gente puder dar um curso gratuito de um ano e meio formando técnicos nessa área. Nós estaríamos juntando a oportunidade de emprego à boa qualidade no atendimento das pessoas com deficiência.

Bem, eram essas as palavras que eu gostaria de dizer aqui. Queria agradecer muito a presença de todos e de todas, e dizer da minha satisfação de vir a Vinhedo. Nenhum prefeito e nenhum político, de nenhum Município, gosta que a gente diga que o Município é rico. Eles falam isso quando a gente não está – quando a gente está, tem que chorar pitanga. Mas Vinhedo é um Município rico, é uma região muito boa, muito próspera. E essa região contribui muito para São Paulo, é a região mais desenvolvida do Estado de São Paulo. Contribui, portanto, para o Brasil. Pode contar conosco, pode contar comigo pessoalmente, como a gente conta com vocês.

Muito obrigado!