Serra discursa no lançamento do Programa de Aperfeiçoamento de Idiomas

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Nós estamos dando hoje um grande passo no sentido do avanço na formação profissional dos alunos, com vistas ao mercado de trabalho, por um lado, e, por outro, a uma formação cultural mais ampla. Hoje existe a possibilidade de um ano […]

qua, 13/01/2010 - 15h31 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Nós estamos dando hoje um grande passo no sentido do avanço na formação profissional dos alunos, com vistas ao mercado de trabalho, por um lado, e, por outro, a uma formação cultural mais ampla. Hoje existe a possibilidade de um ano de cursos de Inglês ou Espanhol, em um ciclo. Mas o que estamos oferecendo agora é um complemento, é um reforço para que a formação nesses idiomas possa ter um avanço maior. Aliás, não é muito diferente do que acontecia… Ou é diferente – no sentido que antes era mais intenso. Quando eu estudei no ensino que seria o Fundamental hoje, segundo ciclo, ou no Ensino Médio, Francês era durante 6 anos obrigatório, Inglês era durante 5 anos obrigatório – mas quem queria realmente ficar melhor ia fazer Cultura Inglesa, União Cultural Brasil-Estados Unidos. Enfim, ia fazer outros cursos complementares. Nós estamos oferecendo agora essa complementariedade de graça para os alunos do segundo ano do Ensino Médio.

Hoje tem também um programa no CEL (Centro de Estudos de Línguas) com vistas a essa complementaridade. Mas é um programa que envolve 53 mil alunos, 51, 53 mil alunos. Nós vamos levar isso para 400 mil por ano – 400 mil alunos, que são os do segundo ano do Ensino Médio. E neste ano, excepcionalmente, vamos oferecer também para os alunos do terceiro ano do Ensino Médio, ou seja, o total de alunos que teremos neste ano em Inglês, Espanhol ou Francês – porque estes são os cursos oferecidos – ultrapassarão a 650 mil alunos em todo o Estado. Trata-se de dar mais uma ferramenta de natureza cultural para os alunos.

Serão cursos dados pelo CEL. Quando o CEL não tiver capacidade, vai para entidades credenciadas, de boa qualidade, pelo Estado inteiro. O programa é para Município de acima de 50 mil habitantes neste ano, que são 122 Municípios. Que naturalmente vão ter mais facilidade no oferecimento de cursos, porque nas cidades devem ter cursos para isso.

Mas eu presumo que se o aluno do Município vizinho, se quiser, pode… em um Município com menos de 50 mil habitantes, pode estudar no Município vizinho. E no ano que vem, em 2011, será o dobro – em 2011 será em todos os Municípios do Estado. Nós estamos, com isso, complementando a formação, as possibilidades de formação profissional. Estamos intensificando muito a formação profissional através do Centro Paula Souza, que é o braço do Estado que atua nessa área. No ensino técnico de nível médio, nas ETECs (Escolas Técnicas), estamos elevando o número de alunos, de 70 e poucos mil para mais de 170 mil em quatro anos, por todo o interior e por toda a região da Grande São Paulo.

Mais ainda: a Secretaria da Educação tem feito convênios com a Fundação Roberto Marinho, com o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Social), com o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), com o Centro Paula Souza, para proporcionar também aos alunos do Ensino Médio, estritamente no âmbito da Secretaria da Educação, uma formação profissional. Sem falar que, no caso da Paula Souza, essa complementariedade pode ser de 100%, porque a Paula Souza dá o Ensino Médio e dá também o Ensino Técnico, e muitos alunos fazem os dois – às vezes no mesmo prédio, em um período e no outro.

Portanto, estamos dando – realmente eu considero – um avanço muito importante. Hoje o domínio de idiomas, principalmente do Inglês, é fundamental – Espanhol o pessoal se vira. A minha experiência pessoal de vida – não no meu caso, que aprendi Espanhol desde o berço, porque minha avó nunca falou Português, ela era argentina. Então eu aprendi juntos Espanhol e Português. Mas a minha experiência no exterior, quando estava exilado no Chile, é que todo mundo se virava com o Espanhol muito rapidamente. Chegava gente lá e em um mês estavam falando uma coisa macarrônica, mas se viravam muito bem, leitura quase 100%.

No caso, a recíproca não é verdadeira. Porque é mais fácil para nós entender o Espanhol, do que os povos que falam Espanhol entenderem Português. Principalmente no Rio de Janeiro e alguns outros lugares que tem uma pronúncia menos contaminada pelo castelhano. Mas, de todo o modo, quem quiser Espanhol terá oportunidade no aprofundamento. No meu tempo também tinha Espanhol, que era no primeiro ano do Cientifico ou do Clássico (cursos de nível médio que correspondiam, respectivamente, ao que hoje se convencionou chamar de Exatas e Humanas). Não sei se o (secretário de Educação do Estado) Paulo Renato teve também, porque sumiu logo do mapa, desapareceu logo do mapa o Espanhol. E era útil, era bastante interessante.

No caso dessa regra federal – ela foi feita de maneira meio atropelada, mas nós entramos, enfim, acatamos – tem o risco de ter capacidade ociosa. Porque os alunos vão escolher… isso em um ensino que é uma oferta obrigatória, não tem nada a ver com esse programa de hoje. Nessa oferta obrigatória, o aluno pode não querer, e nós vamos ter que fazer concurso… Nem sempre vai dar para regular a oferta de professores com a demanda. O mais provável é que vai sobrar, porque não se pode errar pela falta. Foi realmente uma coisa atropelada, mas a gente decidiu, evidentemente, acatar e tocar o esquema para adiante. Mas o evento de hoje tem a ver com essa questão mais importante do novo programa aqui em São Paulo, que já nasce dando certo.

Tenho certeza absoluta de que vai funcionar bem – e o aluno que for fazer é um aluno que… ou está fazendo hoje, pagando, ou vai fazer por vontade própria, e querer aproveitar realmente. A questão de idiomas é a do aproveitamento. No meu tempo nós tínhamos, além de Inglês, Francês e Espanhol, no ano, Latim durante 4 anos. E até hoje eu me arrependo de ter odiado Latim naquela época. Adoraria, se voltasse o tempo, aprender Latim direito, porque era muito interessante do ponto de vista cultural, do ponto de vista dos próprios idiomas derivados do Latim, o aprendizado do Latim. O Latim chegava a ser até um divisor de águas no caso do vestibular. Por exemplo: eu não fui fazer Direito porque tinha Latim no vestibular. Fui fazer Engenharia porque tinha Matemática no vestibular. Embora eu não tivesse vocação para engenheiro, poderia até ter mais para advogado. Mas, na época, imagine uma redação em Latim no exame de vestibular – me parecia um obstáculo instransponível. Latim a gente só ouvia nas missas, porque as missas também eram em Latim, e a gente acabava aprendendo frases em Latim sem saber o que significavam.

Mas essa é uma outra época da área do ensino. E nós estamos tentando reconstituir essa outra época no futuro, no que se refere ao conteúdo, à melhora do ensino, porque antigamente era muito mais restrito, mas era melhor. O número de alunos era pequeno, comparativamente ao que é hoje, não só em termos absolutos, como em termos de fração da população escolarizada. Quando o Paulo Renato foi ministro (da Educação), o Brasil atingiu o seu nível mais alto de escolaridade. mas a gente sabe que a questão da qualidade é crucial. E, inclusive no Ensino Médio, principalmente. E eu acredito que a possibilidade de curso de Inglês de boa qualidade, a escolha dos alunos, vai melhorar a sua motivação. Como também o ensino profissional.

Quando eu vou visitar uma ETEC, em geral eu pergunto para as alunos – a maioria são alunos do Ensino Médio – e se confirma a tese. Eles melhoram o rendimento no Ensino Médio quando começam a estudar, fazer cursos de Ensino Técnico. E melhoram no Ensino Técnico quando estão estudando no Ensino Médio. Há uma interação entre as duas esferas. E eu acho que a possibilidade desses cursos agora, sem dúvida nenhuma, vai também aumentar essa motivação. Se eu tivesse que reclamar algo aqui, é porque não se incluiu o Italiano, em circunstâncias que se inclui o Francês.

Antigamente, vá lá, a cultura era francesa. Na corte se falava Francês. A classe dominante, mesmo em São Paulo, quando eu era criança, falava Francês – dos ecos que chegavam da classe dominante, porque eu não tinha acesso a ela.  Agora Francês está mais ou menos, não estou diminuindo, mas está mais ou menos como o Italiano. E, no entanto Italiano não está sendo oferecido.

Muito obrigado!