Serra discursa no início das obras de recuperação da Barragem do Valo Grande

Governador José Serra: Eu queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Olha, eu gosto de recepção calorosa, mas eu acho que hoje aqui vocês exageraram, porque eu estou… minha roupa está toda grudada, eu não costumo transpirar, eu transpiro pouco, mas hoje eu estou inteiramente molhado e feliz, feliz, realmente feliz. […]

qua, 03/02/2010 - 19h19 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Eu queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. Olha, eu gosto de recepção calorosa, mas eu acho que hoje aqui vocês exageraram, porque eu estou… minha roupa está toda grudada, eu não costumo transpirar, eu transpiro pouco, mas hoje eu estou inteiramente molhado e feliz, feliz, realmente feliz. Quando eu estive aqui, na campanha de 2006, Beth (Negrão, prefeita de Iguape), eu encontrei o (ex-)prefeito (Ariovaldo Trigo Teixeira) e disse a ele – e ele é testemunha disso: “Nós vamos fazer essa barragem de uma vez por todas”. Porque essa era uma coisa encalacrada na garganta do Governo do Estado e aqui da região. E eu fico muito feliz de vir hoje aqui dar início a essa obra – apesar de que eu estou brigando desde o primeiro dia do Governo para fazer. Aí é projeto, é isso, é aquilo, mas felizmente ela vai começar.

Eu estava lendo outro dia o livro de memórias do (ex-)governador Paulo Egydio (Martins), foi governador de (19)74 a (19)78. E vocês sabem que ele dedica um tempo do livro interessante ao Valo Grande, apontando como um problema? Ou seja: é um problema que se arrasta desde há muito. Não sei se foi o primeiro, mas reconhecidamente, que a gente conhece aqui em São Paulo, foi o primeiro desastre ambiental produzido diretamente pelo homem. Ou seja: para abreviar uma chegada ao porto, fizeram um canal que chegou a ter 200, 300 metros de largura, e assoreou o porto, liquidou com o porto, prejudicou toda a atividade de pesca, da ostra aos peixes. (Se tornou) um fator de enchentes, dependendo da solução que se deu – e de muita briga de gente que quer fechar e de gente que quer abrir totalmente. Agora mesmo o (deputado estadual) Samuel (Moreira) me dizia: jogaram até pedras aqui, na tentativa de fechar.

Na verdade, nós procuramos uma solução que compatibilizasse os anseios e os interesses. Fazer comportas vai permitir compatibilizar. Em época de cheia, se manipula a comporta para, inclusive, dar vazão – aliás é um alívio em São Paulo ver qualquer água indo para o mar, eu já me sinto bem em ver água correndo para o mar. Em outra época se mantém fechada, a água recupera a salinidade e a pesca se reconstitui. É uma obra complexa de fazer, mas vai dar certo. E, como disse a prefeita, não vai beneficiar apenas Iguape – vai beneficiar Cananéia, vai beneficiar Ilha Comprida, é uma obra regional. E eu fico muito contente de vir aqui para essa abertura.

Nós estamos trabalhando bastante pelo Vale do Ribeira. Eu me lembro uma vez que eu vim aqui, como ministro da Saúde, em uma reunião precisamente com o Conselho do prefeito de Desenvolvimento. E o índice de mortalidade infantil aqui era muito alto – é a região menos desenvolvida do Estado. Aí me surgiu a ideia, o Programa de Saúde da Família, que era uma coisa que nós estávamos impulsionando no Ministério da Saúde. Mas o PSF exige uma participação muito forte das Prefeituras – o Programa de Saúde da Família é baseado em equipes com médico, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem e cinco agentes de saúde – então eu propus ao (ex-governador Mário) Covas: “Vamos fazer meio a meio, o Ministério e o Governo do Estado”. 

Isso foi feito. E a mortalidade aqui despencou, a mortalidade infantil, não é Geraldo (Alckmin, então governador e atualmente secretário de Desenvolvimento do Estado)? Você lembra que já foi na sua gestão, os índices foram caindo. Nós conseguimos. Do ponto de vista de indicadores sociais, a região tem ido muito bem. O que é que falta? Falta desenvolvimento, falta atividade econômica. Nós fizemos um plano de investimentos aqui, de 226 milhões de reais, se eu bem me lembro, de investimentos puros. Eu creio que nós já estamos, neste ano, realizando 80%, que é um índice altíssimo. Nota 8. E conseguimos realizar ou estar avançando na realização de quase tudo. Aqui em Iguape, se não falhou aqui a minha conta, nós temos aqui um feito – não é o que está anunciado não – 64 obras e iniciativas. Às vezes não é obra, às vezes é uma coisa como distribuição de leite, que é um programa fantástico aqui no Estado de São Paulo, muito pouco conhecido. Só aqui a gente ajuda 1.620 famílias carentes. O custo por ano é de quase 1 milhão de reais, não é pouco. Mas, enfim, entre obras e iniciativas, 64 nós temos aqui, valendo 71 milhões de reais. É bastante. É bastante em um Município de 28 mil habitantes; se fosse em São Paulo seriam uns  25 bilhões de reais, em termos relativos.

Isso mostra o esforço que a gente está fazendo. Dá para resolver tudo? Não dá. Sabe o que é que dá? Para que hoje seja melhor do que ontem, e amanhã melhor do que hoje. A gente não está no Governo para fazer milagre. A gente está no Governo para trabalhar bastante, e fazer com que as coisas fiquem melhores. E eu garanto para vocês que em todo o Estado de São Paulo as coisas estão melhores. Isto é o mais importante.

O Samuel (Moreira) fez um ótimo balanço aqui das coisas que a gente tem feito, e citou uma que eu dou uma importância enorme, que é o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que vamos fazer em Pariquera-Açu. Abre a concorrência dia 8. Este AME vai atender toda a região. Pariquera está a 40 quilômetros daqui – mas aí a prefeita vai botar uma van e vai fazer a marcação de consulta. O ambulatório médico, em geral, atende mais de 15 mil consultas por mês, muitas especialidades e faz exames de laboratórios e de imagens, mais de 30 mil. Isto vai ser uma obra para saúde… Fundamental. Vai ser um desafogo para as Prefeituras e, principalmente, para as pessoas. É um belo investimento esse: 9 milhões de reais.

Mas por ano vai custar isso. Saúde tem essa particularidade: a gente investe, gasta por ano aquilo que gastou para investir. É fácil investir em Saúde, não é muito que precisa. Difícil é manter, é bancar por ano, pagar médico, pagar enfermeira, auxiliar de enfermagem, fisioterapeuta, pagar remédios, pagar todo o custeio, manutenção das máquinas e tudo mais. Isso vai ser um grande salto aqui na região. Queria dar como exemplo símbolo daquilo que nós estamos fazendo na área social. Podia falar do Ensino Técnico, podia falar das escolas, de muitas outras coisas, de estradas onde nós estamos trabalhando.

E quero dizer também que essa região foi bastante afetada pelas enchentes, e a Defesa Civil está disponível para ajudar as Prefeituras em cada caso. Para cada lugar é alguma coisa diferente, mas nós estamos disponíveis para esse trabalho de cooperação, e vamos estar disponíveis para continuar tocando as coisas e tomando novas iniciativas para o desenvolvimento desta região. Eu não quero fazer o jogo do contente, mas vou dizer uma coisa para vocês: o fato de que seja uma região muito protegida, e que ficou para trás no desenvolvimento, vai permitir que ela dê saltos sem reproduzir os problemas de degradação ambiental das grandes aglomerações urbanas. Vai ser uma vantagem.

Agora mesmo eu estive lá em Registro, na inauguração de um centro de distribuição de perfumes e cosméticos, muito importante, paranaense, O Boticário. Eles escolheram Registro. Emprego direto permanente são 100; emprego indireto, mais uns 100 – sazonalmente pode aumentar um pouco no final do ano e tudo mais. Mas é uma bela instalação, em um ponto intermediário, entre São Paulo e Curitiba. É um holofote, na verdade, posto lá. É uma empresa limpa que se instalou. Esse tipo de atividade, e o fato de que aqui também é uma via de ligação da região Sul do Brasil com o Estado, com o Sudeste brasileiro, põe em uma situação privilegiada. O que a gente tem que fazer é ficar em cima, adaptar, melhorar, ampliar a infraestrutura e, ao mesmo tempo, procurar também atrair os investimentos.

Quero dizer que esse investimento lá em Registro foi feito porque a Secretaria da Fazenda (do Estado) ajudou, sem guerra fiscal, tudo dentro da lei. Na época do (ex-governador Geraldo) Alckmin, quando baixou o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) desses produtos, de 18 para 12%, que também ajudou a combater a sonegação. E agora, conosco, que agilizamos, que adaptamos o serviço de substituição tributária, que foi decisivo para que a empresa decidisse fazer o investimento. E é nesse tipo de coisa que a gente tem que ficar de olho. Aqui, particularmente, Iguape… esta cidade é uma beleza de patrimônio histórico, inclusive, e a gente tem que ser capaz de engenhar um desenvolvimento do turismo aqui à altura do patrimônio existente. Esse é um desafio que a gente tem pela frente, e que todos nós devemos cooperar para encontrar o caminho.

Bem, meus amigos, minhas amigas, muito obrigado pelo calor. Não só pelo calor físico, mas pelo calor psicológico aqui desta recepção. Continuem contando conosco, com o Governo, com os nossos parlamentares, com os nossos secretários e comigo, para o desenvolvimento, para o bem estar desta região.

Muito obrigado!