Serra discursa na entrega da Medalha 25 de janeiro

GOVERNADOR JOSÉ SERRA: Eu queria dar meu bom dia a todos e a todas. É uma honra imensa, para mim, receber essa Medalha. Creio que ela sintetiza, de alguma maneira, a longa trajetória que conduziu São Paulo do pequeno Colégio Jesuíta do século XVI a esta grande metrópole do século 21. São Paulo, é interessante […]

seg, 25/01/2010 - 18h35 | Do Portal do Governo

GOVERNADOR JOSÉ SERRA: Eu queria dar meu bom dia a todos e a todas. É uma honra imensa, para mim, receber essa Medalha. Creio que ela sintetiza, de alguma maneira, a longa trajetória que conduziu São Paulo do pequeno Colégio Jesuíta do século XVI a esta grande metrópole do século 21. São Paulo, é interessante sublinhar, nasceu como uma escola, tendo como um dos seus mestres José de Anchieta, descendente de judeus pelo lado materno, nos lembrou hoje num artigo o professor José de Souza Martins, e como escola se manteve aberta até os dias de hoje.

São Pauo teve um processo de crescimento lento que se acelerou apenas, por volta do final do século XIX. Basta lembrar que, quando da proclamação da Independência do país, na colina do Ipiranga em 1822, São Paulo era apenas uma pequena vila, contava com oito igrejas, dois conventos, dois hospitais, 23 ruas, e somente 25 mil habitantes. A implantação da São Paulo Railway, mais conhecida como a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a emergência do café e a chegada de grandes contingentes de imigrantes mudaram esse cenário romântico, porém ainda muito tímido.

Já na década de 20, Blaise Cendrars, escritor franco-suíço que visitou a cidade acompanhado pelos modernistas Mário e Oswald de Andrade, descreveu-a em um poema dizendo:
“São Paulo, adoro esta cidade.
Aqui nenhuma tradição.
Nenhum preconceito.
Nem antigo, nem moderno.
Só contam este apetite furioso, esta confiança,
este otimismo e esta audácia”.

Pois com essa confiança, esse otimismo, essa audácia, São Paulo se tornou a sexta maior cidade do mundo, respondendo por 6% da produção de bens e serviços do Estado e 28% da produção científica nacional.

Nos orgulhamos, também, de ser o centro de uma região metropolitana que concentra 20 milhões de habitantes e que é a sexta maior aglomeração urbana do mundo, a principal das Américas. Este conjunto de fatos nos confere uma inquestionável importância e nos traz, também, muitas responsabilidades. É preciso cada vez mais encarar a cidade como integrante de um conjunto maior, e atuar integradamente. É indispensável intensificar o seu potencial cientifico e econômico, por questões de interesse nacional e não somente local. E é essencial torná-la mais acolhedora e digna dos seus habitantes. São Paulo, como todos sabem, está vinculada às minhas origens por conta de um aspecto relevante do desenvolvimento da cidade, que foi a imigração estrangeira. Minha família veio toda ela da Itália, com exceção de uma avó argentina, filha de italianos também.

São Paulo é a mais internacional das cidades do Brasil e das Américas, como é a mais nacional das cidades brasileiras. Se nós encaramos São Paulo no seu conceito mais agregado, não apenas da cidade, mas da Grande São Paulo, é também a cidade do Presidente da República, migrante de um Estado grande da região Nordeste do Brasil. E de alguma maneira ligada às origens do próprio Estado de Minas Gerais do vice-presidente José Alencar, uma vez que Minas, no começo da nossa história, integrava a Província de São Paulo. Depois, autônoma, tornou-se maior que São Paulo, como sempre costuma acontecer (risos).

Mas eu dizia que São Paulo é a cidade de todos, é a cidade sem preconceito, é uma cidade aberta, é a cidade das oportunidades de vida. Aqui nós temos uma atuação muito integrada, unindo esforços: Prefeitura, Governo Estadual e contamos também com o Governo Federal. Porque São Paulo não pertence apenas a si mesma, pertence demográfica, econômica, social e culturalmente ao nosso país. Por isso, até nas agruras que por vezes atravessa, encontra solidariedade de tantos brasileiros.

Por fim, é de justiça ressaltar que, além de sintetizar as transformações históricas da cidade, a Medalha São Paulo concentra em si, simbolicamente, algo ainda mais significativo, mais intenso, que são as esperanças e o trabalho de sucessivas gerações de paulistanos que construíram, como continuam a construir, a grandeza desta metrópole. Paulistanos -como eu disse- nascidos aqui, paulistanos nascidos no país e paulistanos nascidos pelo mundo afora. Porque para ser paulistano basta amar e trabalhar em São Paulo, como milhões de pessoas fazem no anonimato dos canteiros de obras, das fábricas, dos escritórios, das universidades, das lojas e das ruas. São essas esperanças -e é esse trabalho- que estão concentrados na Medalha São Paulo.

E é por isso que, mais do que a mim, essa Medalha pertence ao povo de todo o nosso Estado. Do Estado que leva o nome da cidade, o Estado de São Paulo.

Muito obrigado.