Serra discursa em entrega de obras do Onda Limpa

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. A principal coisa que me chamou atenção, quando eu cheguei aqui, foi a falta de mau cheiro. Vocês repararam? Nós estamos do lado de uma Estação (de Tratamento de Esgoto) que já está trabalhando, e não tem mau cheiro. Eu tenho […]

sex, 19/02/2010 - 12h47 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas. A principal coisa que me chamou atenção, quando eu cheguei aqui, foi a falta de mau cheiro. Vocês repararam? Nós estamos do lado de uma Estação (de Tratamento de Esgoto) que já está trabalhando, e não tem mau cheiro. Eu tenho aversão – todo mundo tem – mas eu tenho uma aversão muito especial ao mau cheiro, cheiro de estações de tratamento. Sempre vejo com certo mau humor a ideia de inaugurar uma estação, porque além do mais perturba muito aqueles que sofrem os efeitos permanentes do odor desagradável, porque moram nas vizinhanças.

Pois aqui não tem cheiro nenhum. Não se trata apenas de um prédio diferente… Eu acho que se fizer um concurso entre 100 pessoas, ninguém vai acertar que se trata de uma Estação de Tratamento. Vão achar que é um call center moderno, que é uma agência de publicidade… mas na verdade é uma Estação de Tratamento. É um pré-condicionamento do esgoto que vai para o mar, e vai ser lançado a 4,5 quilômetros. Portanto, a poluição do esgoto no mar diminui muito, e isso melhora a qualidade da água e das praias.

Aqui são 5,3 mil litros por segundo. No conjunto, o projeto Onda Limpa vai tratar 8,5 mil litros (de esgoto) por segundo – o que significa atender uma população 30% maior do que o pico da população na Baixada, que é de cerca de 3 milhões na temporada, quando os turistas vêm para cá. Mais ou menos metade, grosso modo, da população permanente aqui. Portanto, nós não estamos resolvendo apenas um problema presente, mas estamos também investindo no futuro.

Na semana passada, eu vim aqui com o (prefeito de Santos, João Paulo) Papa em um projeto, Santos Novos Tempos, da região noroeste… obras de saneamento, drenagem, obras importantíssimas. Obras financiadas pelo Banco Mundial, elas são complementares desta obra aqui – porque sem esta obra, aquela obra não funcionaria. É neste sentido que nós fizemos uma parceria, e temos uma complementaridade de ações do Governo do Estado e a Prefeitura (de Santos). Entre outros motivos, foi a razão pela qual eu vim participar daquela solenidade.

Mas, eu dizia, são 8,5 mil litros (de tratamento de esgoto) por segundo. Isso supõe uma grande rede de coleta que, até o projeto concluir, no ano que vem, vai ter mais de 1.100 quilômetros, (a distância entre) São Paulo-Brasília mais ou menos, coletando em cada casa. Nós já fizemos mais de 300 quilômetros, e agora está na etapa de expandir mais a rede. Isto não apenas aqui em Santos, que já tem uma rede grande, mas nos Municípios vizinhos. Eu vou inaugurar a estação no Guarujá hoje, e em Bertioga. No começo de março em Peruíbe, que serão duas, em Mongaguá e Itanhaém.

Nesses lugares falta mais rede – e nós estamos investindo pesadamente na rede. A situação, no ano que vem, será a seguinte: de 54%, 55% de esgoto tratado, nós vamos passar para 95%. Isto vai significar, primeiro, melhor saúde para a população, menor mortalidade infantil. É impressionante a correlação entre tratamento de esgoto e mortalidade infantil – a correlação inversa: quanto maior o tratamento, menor a mortalidade. Segundo, melhor meio ambiente para a população, para viver – meio ambiente é um fator importante, agradável, respiração melhor. Terceiro, turismo nas praias, que é um fator econômico, não é para beneficiar apenas o que vem de longe passar o seu Carnaval, o seu verão, até o inverno aqui, mas é um fator econômico – isso gera mais empregos, valorização de imóveis, mais negócios, contribui para o desenvolvimento da região.

Então, são esses três objetivos que estão por trás deste que é o maior programa de saneamento do Brasil. Neste momento, é o maior investimento feito em um único projeto aqui na Baixada. E nós estamos também no Litoral Norte – fizemos lá um projeto de 400 milhões de reais. O daqui é 1 bilhão e 400 milhões de reais, e o do Litoral Norte é de 470 milhões de reais, está mais para 500 milhões de reais no Litoral Norte, em um programa semelhante. Quero dizer que nós estamos historicamente duplicando os investimentos no Litoral Norte, em saneamento, e quadruplicando os investimentos aqui na Baixada Santista.

É muito interessante também que essa estação aqui, de tratamento, que é um pré-condicionamento, se faça ao lado da antiga, do (Palácio) Saturnino Brito, que em um lance de bom gosto está sendo restaurada. Temos dois prédios, se eu não me engano, aqui sendo restaurados. Um é de 1925 e o outro de 1905. Eu não sei bem qual será a utilização, mas não vejo motivo para também não ter atividade administrativa aí, ou eventualmente de museu. Enfim, Santos tem um patrimônio histórico grande – e por sorte vem sendo recuperado esse patrimônio, como foi o Teatro Guarani, como está sendo o Museu Pelé… O (prefeito) Papa me disse outro dia que o Teatro Guarani, quando a Prefeitura empreendeu a recuperação, estava em melhor situação que o Museu Pelé. O Museu Pelé estava em uma situação… uma ruína total. Nós cedemos para a Prefeitura – e vai ser muito bem restaurado, pelo o que eu vi nas plantas e pelo talento dos arquitetos.

Bem, eu acho que por isso tudo é um dia histórico o dia de hoje. Nós teríamos muitas coisas para mencionar aqui da Baixada Santista na área do Ensino Técnico, do Ensino Tecnológico voltados para a juventude, onde nós temos uma política que é a mais avançada do País em matéria de oportunidades de vida para a população jovem, através da expansão do Ensino Técnico tanto formal, na área do Centro Paula Souza, que é o braço do Estado de atuação nesta área, quanto na Secretaria da Educação, na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho.

Quero citar por último uma coisa que é importante, que em geral passa batido, que é o DADE, Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias. É para estância turística. DADE é dinheiro que é repassado pelo Governo do Estado. Eu realmente fiquei impressionado com a qualidade e a importância das obras que a Prefeitura de Santos toca nesta área do DADE, com recursos estaduais: implantação de equipamentos para Ginásio Esportivo da Vila Mathias; reurbanização da infraestrutura do Centro de Atividades Integradas de Santos; reurbanização da orla da praia. Só na reurbanização da orla da praia são 18 milhões de reais neste ano, estamos falando de 2010, o que vai ser empreendido. (E tem ainda a) implantação da infraestrutura em novas dependências no Orquidário, onde nós vamos agora em seguida – no ano passado, foram as ciclovias que receberam quase 7 milhões de reais de investimentos – a reurbanização, posto de salvamento, centro histórico, praça Visconde de Mauá, Centro de Atividades Integradas de Santos, infraestrutura das ruas do centro histórico e restauro do bonde turístico. Estes são recursos estaduais que vêm para a Prefeitura, como vão para as outras também – todas as Prefeituras aqui da Baixada que são estâncias. E aqui está sendo muito bem investido. Eu fico muito satisfeito, e por isso eu fiz questão agora também de ir ao Orquidário.

Me congratulo com todo o pessoal aqui da Baixada. Hoje é um dia histórico, é uma obra que não se vê, mas é uma obra cuja presença estará diante de todo o pessoal de Santos e de São Vicente, a cada dia. É a obra invisível mais visível, do ponto de vista das condições de vida das pessoas.
Meus parabéns e meu muito obrigado também à Prefeitura, pela colaboração, e à equipe da Secretaria de Energia e Saneamento (do Estado) e a equipe da SABESP (Companhia de Saneamento do Estado) capitaneada pelo Gesner (Oliveira, presidente), que não é engenheiro, é economista como eu. Ele provavelmente não sabia, nunca tinha visto na vida uma Estação de Tratamento (de Esgoto). E agora, ele que tem doutorado em economia, vai ter também doutorado em tratamento de esgoto, o que não é pouca coisa.

Muito obrigado!

Leia aqui o discurso do governador sobre as obras em Bertioga