Governador fala na entrega da Etec de Tiquatira

Governador José Serra: Boa tarde a todos e a todas. Quando voltei ao Brasil, depois de 14 anos de exílio, fui visitar (em São Paulo) a área da Escola Politécnica (da Universidade de São Paulo), lá no Bom Retiro – que achei que nunca devia ter saído de lá, porque foi para a Cidade Universitária. Fiquei […]

qua, 27/01/2010 - 20h04 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Boa tarde a todos e a todas. Quando voltei ao Brasil, depois de 14 anos de exílio, fui visitar (em São Paulo) a área da Escola Politécnica (da Universidade de São Paulo), lá no Bom Retiro – que achei que nunca devia ter saído de lá, porque foi para a Cidade Universitária. Fiquei meio enciumado. Vi um tal de Paula Souza ocupando os prédios que eram da Poli (apelido da Escola Politécnica), e não gostei. Pensei: pôxa, não devia nunca ter saído daqui, um lugar bom, deviam ter expandido aqui no bairro a Poli etc. E hoje eu considero essa uma das iniciativas mais benditas que houve em São Paulo, a criação desse Centro (Paula Souza).

Eu só tenho, também, um outro problema – aí, de natureza de comunicação – com o Paula Souza. É que o Centro Paula Souza – ele é do Estado – é uma autarquia, é totalmente do Estado, não tem nada privado, não é da tia Paula. Porque muitas vezes, quando se faz o anúncio, dá a impressão que tem o Governo do Estado e tem a tia Paula, uma senhora benemérita e rica, que constrói as escolas. Na verdade, não é nem tia Paula, ou tio Paulo. O tio Paula Souza é o engenheiro fundador da Poli. É rua lá do Bom Retiro, vizinha da Poli – isso eu conhecia bastante. É um homem extraordinário, e o Centro é totalmente dependente do Governo do Estado. É um braço de articulação do Estado na área do Ensino Técnico e Tecnológico (gratuito), que faz tanto que a gente não consegue inaugurar.

Tem gente que inaugura pedra fundamental de Escola Técnica. Nós não conseguimos nem inaugurar as novas Escolas Técnicas. E aqui na Capital a expansão está sendo impressionante porque,é preciso reconhecer, havia um desequilíbrio na expansão passada dos cursos do Paula Souza, muito poucos na capital. Uns 20%, quando a Capital tem uma proporção bem maior da população. Se fosse a Grande São Paulo, é metade da população do Estado.

Agora, vejam só: já aumentaram as matriculas aqui na Capital, de 26 mil para 39 mil – um aumento redondo de 50% de 2006 para cá. Até o final deste ano – porque está tudo em andamento – serão 79 mil vagas. Portanto, parece até de propósito, quase exatamente mais que triplicando o número de alunos, 79 mil na Capital de São Paulo. É uma mudança quantitativa que altera a qualidade. Uma coisa é a expansão normal – mas, mais que triplicar, e a partir de um número que não era tão baixo, 26 mil… (São Paulo) era a cidade que mais tinha no Brasil. Claro que, deflacionado pelo tamanho, não era. Mas, em termos absolutos, sim. Portanto, um aumento de três vezes.

Na Zona Leste o aumento é mais ou menos nesta proporção – e a gente vai olhando zona por zona, e mais ou menos as proporções vão se repetindo. Isso sem falar de FATECs (Faculdades de Tecnologia). E, como disse o Alckmin, nós vamos ter uma nova aqui em Itaquera, que vai ser uma coisa extraordinária. FATEC é diferente de ETEC (Escola Técnica). FATEC é curso superior, mas é de três anos, forma tecnólogos, porque o mercado de trabalho tem fome e sede por tecnólogos, uma coisa especializada. E isso, para demanda de emprego qualificado, é uma maravilha.

Mas, realmente é uma expansão muito importante. Fazemos essa expansão em grande medida em parceria com a Prefeitura. O Alexandre Schneider (secretário municipal da Educação de São Paulo) me dava os números aqui. Já tem dez CEUs (Centros de Ensino Unificados) com curso noturno de Escola Técnica. Dez: é impressionante. Eu não sabia, acho que o (secretário de Desenvolvimento do Estado, Geraldo) Alckmin também não sabia, que eram dez. Nós não fomos a nenhuma inauguração, porque cabia à noite ir em uma inauguração. E tem sete ETECs feitas – prontas ou sendo concluídas, porque vão funcionar no segundo semestre – em terrenos da Prefeitura. Esta é uma com uma arquitetura que é uma beleza – aliás, ajustada ao CEU aqui existente.

 Só com a Prefeitura são 17 em andamento. E no segundo semestre ainda vai ter mais não é Alexandre? Porque vai dobrar o número de CEUs, e nós vamos levar para os 20 – isso é garantido, porque as instalações já estão lá. Portanto, é uma expansão muito grande. Simples, eu diria, para o padrão que as coisas são feitas no Brasil. É um ensino barato, rápido, funcional. Isso não impediu que tivéssemos melhorado bastante os salários dos professores. Melhoramos muito o dos professores e do corpo administrativo. Aliás, estamos aumentando o corpo administrativo, mas com uma proporção menor do que o número de alunos, bem menor – o que significa aumento da produtividade física da administração do Centro.

E tudo isso dá muito emprego. De cada cinco alunos dos CEUs das ETECs, quatro mais ou menos conseguem trabalho.É um curso de um ano e meio, de nível médio. Não substitui o médio, e muitas vezes os alunos estudam no Ensino Médio do Paula Souza também – ou seja: fazem uma espécie de tempo integral, o Médio e o Técnico, separadamente. E um melhora o outro. Eu sei, porque eu não fiz nenhuma pesquisa, mas eu pergunto para os alunos. Quem está fazendo o médio, quando vai para a Escola Técnica, melhora o seu aproveitamento no médio, melhora porque passa a ver um sentido mais concreto.

 O grande problema… não é o grande, tem mais de um, entre eles a falta de professores para nível médio de Física, de Química… mas um outro problema é o desinteresse dos alunos. Por isso, inclusive, que o Alckmin criou uma bolsa Ação Jovem, que era para o aluno ficar na escola, porque o aluno já está adulto e não vê propósito muitas vezes em estudar no Ensino Médio, mas quando tem o Ensino Técnico ele vai reforçar o Ensino Médio. Portanto, nós estamos dando um passo largo. Eu me lembro, ainda na minha geração, o único ensino técnico… devia ter uma ou outra escola estadual, porque quando se criou o Centro Paula Souza ele se consolidou, aquilo que existia, mas era muito pouca coisa.

O que tinha mesmo era o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizado Industrial), no caso da indústria. Quando eu era criança, tinha 10, 11 anos, 12, a minha aspiração era fazer o SENAI, que era muito difícil, porque também era pago. Era uma das coisas que eu queria fazer. Bom, eu não era no começo, mas virei bom de Matemática. Todo mundo dizia: não sabe Matemática tem que fazer Engenharia. E fui lá eu fazer Engenharia, que realmente não é minha vocação. Eu me lembro que tinha uma matéria, Tecmec, quem fez Engenharia aqui deve lembrar, que era trabalhar em oficina. E o primeiro trabalho que tinha era aprender a mexer em um torno. E o primeiro trabalho que tinha que fazer era construir um martelo, a partir de um bloco de aço, que a gente tinha que ficar limando e fazer um martelo. Vocês imaginam o martelo que eu fiz, que infelizmente se perdeu… Deve estar em algum lugar, mas foi perdido. E aí eu acabei fazendo Engenharia por causa de Matemática. Mas vocês perceberam que, na verdade, minha vocação era mais para Economia do que para Engenharia.

 Mas, de todo o modo, isso mostra a importância que tinha, na cabeça da juventude ligada aos setores mais pobres da população – e daí vinha a minha família – a questão do Ensino Técnico, de ter uma profissão. Era uma coisa angustiante não ter uma profissão qualificada. Porque todos aqueles com quem eu convivia, que trabalhavam nas fábricas – a Mooca era um bairro em que todo mundo trabalhava em fábrica … quem tinha um curso do SENAI ganhava o melhor, tinha uma posição melhor, tinha uma condição de vida melhor. Quando eu penso em toda essa expansão agora, eu vejo a importância que tem também, não apenas do ponto de vista do desenvolvimento, mas também do ponto de vista de oportunidades para nossa juventude. Oportunidades de vida, que é o que nós estamos fazendo agora, abrindo oportunidades de vida para a juventude com todas essas escolas. E, quero sublinhar, aqui em São Paulo em grande medida graças à nossa cooperação com a Prefeitura, que agiliza, faz as coisas andarem depressa e traz recursos.

Bem, mas eu queria agradecer aqui a presença de todos e de todas. E me congratular com todo o pessoal da Prefeitura e do Estado que fez isto possível.

 Muito obrigado!