Em Itapira, Serra fala sobre parceria para desenvolvimento tecnológico

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas, dizer da minha alegria de vir novamente a Itapira. É interessante lembrar que este laboratório nasceu, na verdade, em função do hospital psiquiátrico de Itapira, o (Instituto) Bairral. E aqui se juntaram alguns médicos, para produzir os medicamentos psiquiátricos para esta clínica. […]

ter, 26/01/2010 - 15h03 | Do Portal do Governo

Governador José Serra: Queria dar o meu boa tarde a todos e a todas, dizer da minha alegria de vir novamente a Itapira. É interessante lembrar que este laboratório nasceu, na verdade, em função do hospital psiquiátrico de Itapira, o (Instituto) Bairral. E aqui se juntaram alguns médicos, para produzir os medicamentos psiquiátricos para esta clínica. É uma clínica muito importante para São Paulo. São centenas de leitos, creio que 500 leitos. Eu vim aqui há cerca de um mês inaugurar um convênio com essa clínica para proporcionar 80 leitos para tratamento de dependentes químicos, que ficam morando ali com tratamento integral dentro da clínica.

E esta clínica, na verdade, acabou dando origem a este laboratório. É um laboratório que se destaca entre os laboratórios no Brasil pela pesquisa, pela inovação. Como disse aqui o (ministro da Saúde, José Gomes) Temporão: no Brasil, durante uma fase, ameaçou existir uma indústria nacional de medicamentos. Quando eu digo indústria nacional, é aquela que produz a matéria-prima – porque boa parte da indústria brasileira é montadora de medicamentos, ela não produz a matéria-prima essencial.

Mas o laboratório Cristália passou a investir nisso, em produzir a matéria-prima, em produzir a molécula. A indústria que fazia isso no Brasil em grande parte foi liquidada…Foi  a partir do final dos (anos 19)80, começo dos (19)90, quando se fez uma abertura econômica estilo ataque da cavalaria antiga – rápida e mal feita. E, com isso, a indústria nacional, que produzia matérias-primas, se foi. E é importante que um laboratório como este invista na pesquisa básica, na produção das moléculas, na produção da matéria-prima. E o Cristália tem sido bem sucedido nisso – é um laboratório que tem 117 pedidos de patentes aqui no Brasil, sendo que 15 já foram concedidas. A patente mesmo é feita em torno da molécula, da matéria-prima original.

Portanto, é um laboratório que ousou avançar, ousou apostar na nossa capacidade tecnológica. Esta planta de hoje é talvez das mais avançadas da própria América Latina, no que se refere à ação para impedir a contaminação durante todo o processo produtivo. E é um laboratório que aposta nessa nova tecnologia, tem convênios com o aparato de pesquisa do Estado, Universidade (Estadual) de Campinas (Unicamp), aqui vizinha, com o nosso Fundo de Amparo à Pesquisa, FAPESP, com a Universidade de São Paulo (USP), com o INCOR (Instituto do Coração), e com o Instituto Butantan.

Está ligado ao que tem de melhor em São Paulo, em matéria de pesquisa – aquilo, ministro (de Ciência e Tecnologia, Sérgio) Rezende, que nós temos de mais avançado no Estado de São Paulo em matéria de ciência. E o ministro mencionou a questão de doutorado – é interessante, este é um dado que eu mencionei aqui da outra vez, citar uma característica do interior de São Paulo. Você sabe, Temporão, que as cidades de São Carlos, Campinas, Piracicaba, Bauru e Ribeirão Preto têm mais doutorados, em termos relativos, do que a Capital do Estado? O centro de tecnologia de avanço é, principalmente, no nosso interior. A FAPESP, que é uma das melhores instituições do mundo de financiamento à pesquisa, é financiada com 1% dos impostos de São Paulo. A Fundação de Amparo a Pesquisa… de cada 4 projetos que ela aprova, 3 são do interior de São Paulo; projetos de inovação, 75%. Isso mostra a importância do nosso interior em matéria de desenvolvimento, não apenas do Estado de São Paulo, como também no País.

E, de alguma maneira, este capítulo aqui do laboratório Cristália se inscreve nesse contexto de grande progresso, de avanço do nosso interior, não apenas em termo de padrão de vida, mas também como vanguarda tecnológica no nosso País. E com este laboratório eu, pessoalmente, tenho também um capítulo na minha vida pública, de quando fui ministro da Saúde. Foi naquela época que nós passamos a produzir maciçamente os medicamentos da AIDS no Brasil, que antes eram todos importados. Implantamos esse processo, e o Cristália foi parceiro. A partir de 2000, este fornecimento se intensificou muito. Portanto, a ação do Ministério da Saúde está ligada ao desenvolvimento deste laboratório. E ele foi mais além porque, em boa parte dos medicamentos da AIDS fabricados no Brasil, as matérias-primas vêm da Índia. Mesmo quando se quebra a patente, quando se dá o licenciamento, passamos a comprar na Índia a matéria-prima, porque a Índia pesquisa, tem uma indústria nacional poderosa, barata e eficiente. Mas o Cristália passou a produzir, ele também – é o primeiro – a própria molécula, a própria matéria-prima básica do medicamento relativo à AIDS. Portanto, fez parte de um capítulo importante na história do processo de Saúde no nosso Brasil, no enfrentamento de uma doença terrível como a AIDS, em relação à qual o Brasil tem a melhor campanha de enfrentamento que existe em todo o mundo em desenvolvimento. Esse laboratório teve a sua presença também nesse episódio.

Meus parabéns ao (Ogari) Pacheco (presidente do Laboratório Cristália). Meus parabéns à diretoria e, sobretudo, a todos os funcionários e trabalhadores desta indústria, que constrói este exemplo de inovação e progresso em São Paulo.

Um grande abraço a todos vocês!