Alckmin discursa Festa em comemoração aos 90 anos da Folha de S.Paulo

Geraldo Alckmin: Senhora presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff; Michel Temer, vice-presidente; família Frias: Luís, Otávio, Maria Cristina, Maria Helena; senador José Sarney, presidente do Senado Federal; deputado Marco Maia, presidente da Câmara; ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal; autoridades aqui nominadas; amigas, amigos. É uma grande alegria estarmos reunidos nesta […]

ter, 22/02/2011 - 7h00 | Do Portal do Governo

Geraldo Alckmin: Senhora presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff; Michel Temer, vice-presidente; família Frias: Luís, Otávio, Maria Cristina, Maria Helena; senador José Sarney, presidente do Senado Federal; deputado Marco Maia, presidente da Câmara; ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal; autoridades aqui nominadas; amigas, amigos.

É uma grande alegria estarmos reunidos nesta noite para a festa de 90 anos da Folha de São Paulo. É para mim uma honra poder dirigir uma palavra à família Frias, aos jornalistas e funcionários da Folha, aos leitores do jornal, aos cidadãos de São Paulo e do nosso país.

A verdade é que o saudoso e querido Octávio Frias de Oliveira, seu Frias, não gostava muito de festas. Ele gostava mesmo é do trabalho, se realizava no dia a dia da empresa, longe dos aplausos. Construindo a Folha que hoje admiramos, e com a qual às vezes até nos evitamos, por que não?

Esse exemplo da ética do trabalho é o que eu primeiro gostaria de lembrar aqui. O seu Frias, como gostava de ser chamado, foi um homem ao mesmo tempo austero e despojado, uma figura cativante, mas sempre muito franca nas suas relações pessoais, muito direta nas suas posições diante do mundo. Acredito que essas sejam qualidades que gostaríamos de ver também nos homens públicos.

Espero não estar traindo a memória de todos os personagens que construíram a Folha desde 1921. Ao homenageá-la aqui, na figura daquele que mais contribuiu para que ela seja o que é hoje. E o que ela é hoje? Um produto crítico, plural, apartidário, consolidado na campanha pelas Diretas Já, na qual o jornal teve protagonismo ímpar, da qual saiu um capital editorial suficiente para se tornar um dos jornais mais influentes do país.

Mas esses compromissos só puderam se afirmar porque o seu publisher percebeu desde sempre a importância de ter uma empresa financeiramente sadia e robusta, uma empresa que não dependesse dos governos para sobreviver, e que assim pudesse depender apenas de seus leitores e da sua própria credibilidade.

Em grande parte, o sucesso da Folha vem de fiscalizar. Passamos a agentes públicos, aos quais a sociedade delega a tarefa de gerir os impostos que paga. Daí vem uma observação importante: todos nós erramos, jornalistas e agentes públicos. Mas quando erramos nós, agentes públicos, o fazemos com o dinheiro da sociedade. Um leitor pode escolher outro veículo, se este ou aquele não o agrada, ou erram demais, mas um cidadão não pode escolher pagar ou não pagar impostos diante da eventual incúria de governos.

Nem sempre as relações entre a imprensa e o poder, mesmo aquele exercido segundo as regras da democracia, são harmoniosas. Que seja esse um bom conflito, que seja essa a divergência dentro da convergência maior, a imprensa tem que ser livre. Saúdo os primeiros 90 anos da história da família Folha, que os próximos 90 assistam um país ainda mais democrático, mais justo, mais solidário. A democracia nos ensina que as sociedades livres estão obrigadas a um único consenso: haver regras civilizadas para o exercício do dissenso.

Meus parabéns aos jornalistas, aos funcionários da Folha, a todos os presentes. Costumo dizer que a expressão “imprensa livre” deveria ser considerada um pleonasmo. A imprensa só é se for livre.

Deixaremos, senhoras e senhores, o legado da liberdade para aqueles que muito depois de nós, estarão saudando aqui um dia, os outros 90 anos da Folha de S.Paulo.

Muito obrigado.