O maior carnaval do Brasil

O fato de a capital paulista assumir uma liderança segundo os buscadores de internet, na prática, não representa que os outros destinos perderão

Vinicius Lummertz
Secretário de Turismo do Estado de São Paulo

seg, 27/01/2020 - 14h19 | Do Portal do Governo

“O Rio de Janeiro fevereiro e março” diz a letra de uma das mais emblemáticas composições do baiano Gilberto Gil – Aquele Abraço. No mesmo ano, 1969, outro baiano, Caetano Veloso, ensinava que, em Salvador, atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Duas referências ao carnaval, principal evento festivo nacional, elevado à condição de ativador econômico, mas que acima de tudo é uma celebração da brasilidade.

São Paulo entrou nessa festa. Até sete, oito anos atrás, a capital paulista tinha uma relação menos democrática com os blocos. Havia a demanda reprimida e, quando os ventos da ocupação das ruas – pelos mais diversos motivos – passaram a soprar forte, foi o carnaval de rua que explodiu. As centenas viraram milhões. E nos últimos três anos, já na gestão João Doria na Prefeitura, o Baixo Augusta virou Brasil, com o poder público mais próximo, propositivo e colaborativo.

Levantamentos recentes, feitos por meio de plataformas digitais – que rastreiam e medem tudo – apontam São Paulo como o destino nacional mais desejado, ou buscado, para as viagens no período do carnaval ou mesmo ao longo de 2020.

E que mal há nisso? Alguém vai deixar de ir para Ouro Preto, que tem um carnaval ótimo, por conta disso? Para Florianópolis, sonho de consumo para as viagens de verão? Ou os diversos destinos do Nordeste? Penso que não. Os paulistas podem, então, viajar para o Brasil todo, mas São Paulo não pode ser um destino turístico? Pensamento pequeno e enviesado.

As simpáticas São Luiz do Paraitinga, Guaratinguetá e Socorro, na porção paulista da Serra da Mantiqueira, mantém viva a tradição dos concursos de marchinhas. O famoso “carnaval de antigamente”. Se receberem muita gente, contudo, perderão em qualidade. O que, de resto, já aconteceu em diversos outros destinos nacionais que exageraram na mão e depois tiveram que diminuir seus eventos. Exemplo: Blumenau e sua Oktorberfest.

Qual o motivo da polêmica com relação aos milhões que estarão nas ruas de São Paulo, então? Em uma disputa na qual não há prêmio, o foco precisa ser mais bem calibrado. O Rio de Janeiro, segundo divulgou a Riotur, receberá milhões de visitantes em fevereiro, os hotéis baterão em mais de 90% de ocupação no carnaval — como sempre e que bom! —, assim como, em Salvador, milhares seguirão o Olodum balançando o Pelô ou no Campo Grande, e São Paulo terá o maior carnaval de todos os tempos, com mais de 800 blocos de rua.

O fato de a capital paulista assumir uma liderança segundo os buscadores de internet, na prática, não representa que os outros destinos perderão. Pelo contrário, quem vier para São Paulo em 2020 poderá ir para Curitiba, Belo Horizonte ou Porto Alegre em outro momento. O que menos importa é para onde; o importante é que o brasileiro está viajando.

E por um excelente motivo: festejar. Os milhões indo atrás dos “bloquinhos” são, primeiro, paulistanos, depois paulistas e, em menor número, turistas. Juntando tudo, São Paulo terá o maior carnaval do Brasil. Em 2019 foi feita uma inédita campanha de promoção do Estado de São Paulo, no Brasil e no Exterior – que continuará em 2020 – e os resultados, que aparentemente incomodam, começam a aparecer.